A justificação da Sporting SAD

Francisco Santos Ferro, 9 de Setembro de 2010 22:31

Com a publicação do Relatório e Contas da Sporting SAD referente ao exercício de 1 de Julho de 2009 a 30 de Junho de 2010, ficamos finalmente a saber porque razões, no entender da Sporting SAD, a época desportiva foi desastrosa desportiva e financeiramente:

A época desportiva 2009/2010, não pode, de forma alguma, ser dissociada das alterações vividas no governo do clube e da sociedade em função de eleições tardias, para a presidência do Clube e posterior cooptação a 1 de Julho de 2009, do seu Presidente, para Presidente do Conselho de Administração desta Sociedade.

A enorme perturbação que assolou o Clube, teve consequências também a nível da gestão da sociedade. Efectivamente, o anúncio tardio da candidatura á presidência do Dr. José Eduardo Bettencourt, impediu a elaboração atempada de uma estratégia clara que compatibilizasse os anseios da Sociedade com os do Clube, e apenas adiou a demissão inevitável de dirigentes e técnicos, com relevantes serviços prestados ao Clube e à Sociedade.

Com o clima existente, e com a recuperação, em cima da hora, de colaboradores fundamentais para o bom desempenho desportivo da sociedade, antevia-se uma época recheada de dificuldades, o que infelizmente viria a verificar-se. A pouco justa eliminação da Fase de Grupos da Champions, da nossa equipa de futebol profissional, pela Fiorentina, marcou muito negativamente a época do ponto de vista desportivo e financeiro, com óbvios impactos no nível de desmobilização dos nossos adeptos.

O reconhecimento de um fosso enorme face aos nossos principais concorrentes e os atrasos significativos na resolução de problemas estruturais que afectavam o governo do Clube e da Sociedade, foram algumas das áreas que obrigaram a um esforço adicional durante esta época, e estamos em crer que as decisões tomadas muito contribuirão para um futuro mais sustentável desta Sociedade. 

 

Ficamos portanto a saber que:

  • não havia uma “estratégia clara”
  • a demissão de dirigentes, eleitos recentemente, e técnicos com os quais se tinha acabado de renovar contrato, era “inevitável”
  • “antevia-se uma época recheada de dificuldades”, dado “o clima existente”
  • temos um “fosso enorme face aos nossos principais concorrentes” – presumo que Benfica, Porto e Braga
  • houve “atrasos significativos na resolução da problemas estruturais que afectavam o governo do Clube e da sociedade”

Não descurando a relação óbvia do “governo da sociedade” com o famoso losango de Paulo Bento, ou o fosso enorme que nos separa do Braga, penso que é de assinalar a admissão por parte da Administração da Sporting SAD, na pessoa do seu Presidente, o também Presidente do Sporting Clube de Portugal, de que não foi capaz de definir uma estratégia clara antes e após a sua eleição, e que, por via disso, os dirigentes com ele eleitos e os técnicos aos quais renovou os contratos, estavam condenados a demitir-se.

Para além disso, antevia-se uma época recheada de dificuldades. E pensava eu que com mais uns treinos e um pouco de cagança íamos lá…

 

O ABC da reestruturação (e as razões pelas quais não faz sentido)

João Mineiro, 25 de Agosto de 2010 10:10

Tenho visto na blogosfera leonina, assim como nos jornais desportivos, muita falta de informação (ou desinformação consoante os casos), sobre o que é verdadeiramente o projecto de reestruturação financeira – tal como vem proposto desde o tempo de Filipe Soares Franco. Antes do mais há que esclarecer três pontos:

- Este projecto nada tem de semelhante com o que foi inicialmente negociado em 2005, ao contrário do que deixa entender aqui um blogger anónimo.

- O controlo da SAD não fica assegurado com 51% do capital, uma vez que não estão garantidos 51% dos  direitos de voto mas apenas 26,33%.

- A reestruturação financeira não permitirá investimentos avultados no futebol, como adiante se mostra, ao invés do que é dado a entender em asneiras difundidas pela Lusa e publicadas em diversos meios de comunicação.

A operação, tal como estava anteriormente planeada, processar-se-á em 3 passos.

Passo 1 – Operação Harmónio

Uma operação harmónio é uma operação através da qual uma empresa reduz parte do seu capital para cobrir prejuízos acumulados, aumentando-o em seguida através da emissão de novas acções. No fundo, é o assumir da incapacidade de recuperar prejuízos passados, “limpando” os mesmos dos capitais próprios através de uma redução de capital.

Desgraçadamente, esta é a segunda operação do género que a SAD leonina propões aos accionistas em apenas 6 anos. Já em 30 de Junho de 2004 o capital social foi reduzido de 54,9 M.€ para 22 M.€, sendo a diferença de 32,9 M.€ destinada à cobertura de prejuízos acumulados nos exercícios anteriores…

É necessário esclarecer que a operação harmónio agora  proposta, com uma redução de capital de 21 M.€ e um novo aumento de capital de 18 M.€, não irá traduzir-se numa entrada de fundos uma vez que o Sporting (Clube) irá participar no aumento de capital através de novo financiamento bancário. Os recursos postos à disposição da SAD serão utilizados para abater dívida bancária no mesmo montante, no âmbito da reestruturação. Trata-se portanto de uma mera operação de recomposição de capitais e absorção de prejuízos.

Passo 2 – Emissão de VMOC (Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis)

Por sua vez a emissão de VMOC (não são mais que obrigações que pagam juro até à conversão em acções) representa, apenas, substituição de dívida – obrigações emitidas para pagamento de dívida bancária. As obrigações permitem uma maior folga na tesouraria da SAD, através da redução anual do reembolso de capital em dívida de 55 milhões de euros, mas quase nenhuma poupança de custos/juros nos próximos anos. Imagine-se, a título de exemplo, que a entrada de fundos substitui dívida bancária com um prazo de reembolso de 20 anos – em média reduz-se o reembolso durante esse período em 2,75 M.€ por ano. Ou seja, 10% do investimento realizado em jogadores nos últimos meses !!! Ver aqui… Outra opção seria investir este dinheiro em jogadores e galopar em direcção a um passivo de 450 M.€, o que é impensável.

Essa folga de tesouraria, tem no entanto um custo brutal para os Sportinguistas. Ao emitir os VMOC, o Sporting perde a maioria do capital da SAD se não entregar os seus últimos activos à sociedade. As contas são as seguintes:

- Sporting detém actualmente 68,60% do capital da SAD de 42 M.€

- Sporting passará a deter 83,09% do capital da SAD após operação harmónio (assumindo que subscreve a totalidade do aumento de capital), do novo capital social de 39 M.€ (42 – 21 + 18)

- Sporting passará a deter 34,47% do capital da SAD após operação harmónio e emissão de VMOC, do novo capital social de 94 M.€ (39 +55)

A forma “encontrada” para garantir 51% do capital da SAD na posse do Sporting é um novo aumento de capital em espécie, ou seja, a entrega de activos à SAD por parte do SCP. O valor desses activos (X) pode facilmente ser calculado resolvendo a seguinte equação:

[(34,47% * 94 M.€) + X] / (94 M.€ + X) = 50,01%

Ou seja, X = 29,2 M.€.

Estima-se portanto que a SAD irá ficar com um capital final de cerca de 123 M.€.

Passo 3 – Integração da Academia e dos direitos de superfície do Estádio

Conhecendo a avaliação feita à Academia de pouco mais de 20 M.€ – cujo relatório nunca foi público – mas que assumia incompreensivelmente que o novo aeroporto em Alcochete não traz valor acrescentado aos terrenos, e uma vez que esse valor não perfaz os 29 M.€ acima calculados, resta ao Clube passar também para a SAD os direitos de superfície do Estádio José Alvalade.

Resultado final da reestruturação proposta

Antes ainda de revermos as consequências um facto: é absolutamente inaceitável que toda esta engenharia financeira nunca tenha sido claramente explicada aos sócios.

- No Congresso Leonino, realizado em Santarém, José Castro Guedes, mentor do projecto, limitou-se a mostrar alguns slides com as contas da reestruturação financeira numa base de caixa, recusando-se a entregar esses mesmos slides aos 50 sócios/delegados presentes, bem como qualquer outro elemento contabilístico do Grupo Sporting, conforme requerido por 8 delegados presentes, representando 200 votos de sócios. Esse requerimento nunca teve resposta, prevalecendo em Santarém a exposição contabilística de “mercearia”;

- A Sporting Comércio e Serviços foi vendida à SAD sem ser conhecido sequer um balanço da sociedade; a avaliação da Academia nunca foi tornada pública; a autorização para a redução de participação na SAD e trespasse da Academia nunca tiveram aprovação em AG;

- As Assembleias Gerais têm sido um desfilar de silêncios, justificados com a necessidade de “não maçar os sócios”, ou por “falta de condições de segurança”;

- Os pedidos de elementos informativos, ao abrigo do art.20º/1/d dos Estatutos, são constantemente ignorados, motivo mais que suficiente para impugnar qualquer Assembleia Geral. Este pedido e consequente recusa, assinada pelos serviços do Clube, são apenas um triste exemplo;

- A informação enviada para as redacções deixa entender que tudo não passa de uma operação para “dotar a SAD da capacidade necessária de investir na sua equipa de futebol“.

Ora sendo o futebol a única actividade capaz de gerar mais-valias regulares que nos levem à redução do passivo, a venda da sua gestão e capital a terceiros tem de ser explicada de forma transparente. Uma opção pela privatização da principal modalidade do Sporting e pela venda de 50% dos activos que lhe restam exige clareza.

Neste cenário final o Sporting e a intervenção dos sócios ficam limitados a:

- Gestão das modalidades;

- 25% das quotizações dos sócios,

- 50,1% de uma SAD que deixa de controlar – onde terá direito a apenas 26,3% dos direitos de voto. Note-se, a título explicativo, que as acções do tipo B estão limitadas a 10% dos direitos de voto e o Sporting apenas detém 16,33% de acções do tipo A, sem limitações de voto, conforme resulta do artigo 13º dos Estatutos da SAD.

É isto que os sócios querem?

Alternativas

Finalmente chegamos à questão final: existe alternativa?

Claro que sim.

Toda a reestruturação montada não vai permitir mais que uma ligeira redução dos encargos de tesouraria, implicando um custo imediato de alguns M.€ em custos bancários na montagem da operação, obrigando a uma perda total de poder por parte dos sócios com e ao esvaziar do Clube dos seus activos.

Por forma a conseguir o mesmo  efeito de tesouraria há que renegociar a dívida bancária para prazos mais alargados, ajustando os reembolsos de capital aos anos de venda de jogadores da formação e oferecendo em contrapartida novos colaterais aos credores. Ou reduzir a massa salarial do Grupo Sporting em 200 mil € /mês. Ou criar um Fundo de Investimento para os passes da formação. Ou criar fundos de Fomento Desportivo. Ou vender o “naming” do estádio durante alguns anos, por doloroso que seja.  Ou recuperar a dinâmica de merchandising do Clube através da rede de Núcleos do Sporting.

Ou, a hipótese mais valiosa de todas, com um efeito equivalente à reestruturação proposta pela “Geração da Dívida”.  Recuperar/angariar 20.000 sócios  – a base de todo o programa Ser Sporting.

Não seria essa verdadeiramente a solução de futuro que o Sporting necessita?

Uma mentira muitas vezes repetida

Francisco Leitão, 21 de Julho de 2010 23:29

Uma notícia de hoje na imprensa anuncia de que poderá estar para breve a concretização do plano de reestruturação financeira com a consequente emissão dos famosos VMOCs, plano esse que teria sido aprovado pela Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal em Abril de 2009.

Importa repôr a verdade e esclarecer os sócios e adeptos.

Todas as medidas que compõem o plano de reestruturação financeira tinham e têm que ser aprovadas em Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal.

Só a passagem da Comércio e Serviços para a SAD o foi, na AG realizada em 13 de Outubro de 2009 (ver a respectiva ordem de trabalhos para confirmar que foi essa a única matéria discutida e votada, para além das contas do exercício anterior).

A passagem da Academia para a SAD foi submetida à aprovação da AG realizada em 28 de Maio de 2008, e não foi aprovada. Mais tarde foi incluída no referendo que foi submetido à AG realizada em 17 de Abril de 2009, e que também não foi aprovado. Diga-se que o CD entende agora que a matéria não necessita de aprovação da AG e pode ser decidida pelo próprio. Ultrapassando a questão estatutária e legal – que se resolve com a conclusão inequívoca de que a aprovação é necessária -, sempre caberá perguntar porque andou o CD a tentar tão insistentemente aprovar, directa ou indirectamente (através de referendo) uma medida que afinal de contas não precisava de aprovação nenhuma.

A emissão de VMOCs, na sua primeira versão, foi submetida à aprovação da AG realizada em 28 de Maio de 2008, e não foi aprovada. Depois, numa segunda versão, foi incluída no referendo que foi submetido à AG realizada em 17 de Abril de 2009, e que também não foi aprovado. Neste caso cabe salientar que é do conhecimento dos dirigentes do Clube a necessidade de aprovação pela AG, como aliás reconheceram num comunicado da SAD de 5 de Janeiro de 2009, a respeito do adiamento da conclusão do plano.

Concluindo, o plano de reestruturação padece de várias ilegalidades, sendo a única excepção a passagem da SCS para a SAD. Tudo o resto continua por aprovar, e a dúvida agora reside em saber se os bancos e a CMVM deixarão que a festa continue, em potencial prejuízo dos investidores em VMOCs. Na última AG perguntei aos membros do CD se estavam preparados para suportar as consequências da possível débacle deste negócio ilegítimo. Infelizmente não tive resposta e pareceu-me que, muito levianamente, nem sequer tinham pensado no assunto.

 

ESCLARECIMENTO: no Diário de Notícias de 22.07.2010 é noticiado que o Movimento Ser Sporting defende a realização de uma Assembleia Geral para aprovar a venda da Academia para a SAD e a emissão dos VMOCs.

Tal não corresponde de forma alguma à verdade. O que foi transmitido ao Diário de Notícias é que a legalidade desta operação de reestruturação financeira apenas poderia ser alcançada através da aprovação dos sócios do Clube em Assembleia Geral.

Donos do Man Utd com dívidas de 1,1 biliões de libras retiram 23 milhões do clube

Francisco Santos Ferro, 7 de Junho de 2010 23:29

Segundo investigação da BBC a famíia Glazer, dona do Manchester United, tem dívidas adicionais superiores a  400 milhões de libras, que não eram conhecidas, ascendendo o valor total das suas dívidas a uns astronómicos 1,1 biliões de libras.

A BBC afirma que os Glazer hipotecaram a quase totalidade do seu negócio de centros comercias, bem como a sua equipa de futebol americano Tampa Bay Buccaneers, por forma a ajudar na compra do Manchester United em 2005.

Dos 63 centros comerciais hipotecados, quatro já foram encerrados e outros 28 estão sob na “watch list” do banco, por falta de confiança no pagamento dos empréstimos. Cerca de um quarto dos centros comerciais estão sem capacidade de pagar os juros dos empréstimos, enquanto que outro quarto estará na mesma situação muito em breve.

Tudo isto resulta num grave problema de cash-flow para a família Glazer, com o resultado de ainda esta época os Glazer terem retirado do Man Utd cerca de 22,9 milhões de libras em honorários e empréstimos. Na notícia da BBC é referido que este procedimento pode tornar-se recorrente caso os problemas de cash-flow dos Glazer se mantenha, o que é previsível.

Por fim, é recordado que a dívida total do próprio Man Utd ronda os 700 milhões de libras e que se não fosse a transferência milionária de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid teriam tido um prejuízo muito significativo na época passada.

 

Alguém ainda acha que a chegada de um investidor é a solução para o Sporting?

 

Créditos: Giribi in ForumSCP

Década e meia de sonhos perdidos

Francisco Leitão, 2 de Junho de 2010 7:24

Há precisamente quinze anos que o denominado Projecto Roquette dita a sua lei no Sporting Clube de Portugal.

O anúncio fora feito no anterior mês de Maio, em conferência de imprensa de contornos epifânicos, e, numa curiosa manifestação de respeito e institucionalismo democrático, mesmo antes das eleições o futuro presidente já fechava contratos de transferência de jogadores em nome do Clube. Mas na verdade foi na 6ª-feira 2 de Junho de 1995 que se realizou a assembleia eleitoral que consagrou a chegada de uma “nova era” ao Sporting, feita de profissionalismo, rigor e competência a toda a prova. Uma era que nos lançaria para vertiginosos píncaros de prosperidade financeira e pujança desportiva, em que a rentabilização do património imobiliário do Clube, alicerçada sobre o conhecimento e experiência profissional dos “quadros de topo” que então chegavam, permitiria ao Sporting assumir uma hegemonia tal que se apontava para o objectivo de vencer três em cada cinco campeonatos nacionais.

Pedro Santana Lopes, na Direcção, Miguel Galvão Telles, na Mesa da Assembleia Geral, e José Roquette, no Conselho Fiscal, rodeados de uma “plêiade” do que ao comum sportinguista se apresentava como a fina flor da gestão e da finança portuguesa, foram então os depositários dos sonhos de uma multidão farta de humilhações e sequiosa de sucessos, mas sempre e inabalavelmente convicta da vocação histórica do Sporting Clube de Portugal enquanto instituição vencedora.

Uma década e meia passou, e cada sportinguista, nem que apenas no seu íntimo, faz o seu balanço. Que o Sporting, enquanto instituição, tenha a coragem de o fazer também.

Modalidades e Financiamento

João Mineiro, 7 de Maio de 2010 9:00

Numa excelente entrevista de Paulo Curado para o Público, na véspera da últimas eleições do Sporting, o anterior presidente Filipe Soares Franco deu a sua opinião sobre o projecto financeiro do Ser Sporting que, segundo ele, caía por terra por causa das necessidades extra de financiamento para a construção de um pavilhão.

Já conhece o projecto financeiro alternativo ao seu apresentado pela candidatura de Paulo Pereira Cristóvão?
Não precisei de o estudar muito, porque não consigo perceber três coisas. O projecto assenta num primeiro pilar, segundo o qual o Sporting está tecnicamente falido. Admitamos que sim.

O Sporting está tecnicamente falido?
Está. As contas consolidadas do Sporting revelam que tem capitais próprios negativos e, portanto, está tecnicamente falido.

[...] partamos do princípio de que estamos em falência técnica, não temos capacidade para fazer crescer o endividamento, antes pelo contrário. Sendo assim, o plano alternativo é ir fazer um pavilhão [como propõe a candidatura de Paulo Pereira Cristóvão] e onde está o financiamento para tal.

Poder-se-ia hoje responder que o financiamento do pavilhão provinha da decisão do tribunal arbitral.

Poder-se-ia responder que o financiamento seria garantido através do naming do pavilhão.

Mas nenhuma dessas razões seria a principal. O pavilhão financia-se directa e indirectamente com a paixão dos sócios!

Os jogadores do Sporting "brilharam" literalmente no jogo contra o RD Slovan.

Que isto nunca nos aconteça!

João Mineiro, 16 de Abril de 2010 14:00

George Gillett and Tom Hicks have stepped up their plans to leave Liverpool by confirming that the club is now officially up for sale.

[continua]

Sobre este assunto é interessante ver o que pensam agora os adeptos do Liverpool: link

E o que pensaram quando os novos “donos” chegaram: link

A não solução

João Mineiro, 4 de Abril de 2010 18:00

O recente adiamento do projecto de reestruturação financeira vem demonstrar uma vez mais que esta é uma “não solução”, forma rebuscada de dar garantias à banca e abrir a gestão do futebol a terceiros.

Sobre estes dois aspectos a nossa opinião é, obviamente, totalmente diversa:

  • Oferecer garantias à banca -> atitude perfeitamente normal dado o nível brutal de endividamento e a necessidade de negociar o melhor juro possível.
  • Abrir a gestão da SAD a terceiros -> forma encapotada de transformar o Sporting numa plataforma de negócios cujos objectivos nem sempre serão os mesmos do Clube. Este aspecto reveste-se de uma agravante – é um processo difícil de reverte e que irá exigir um esforço considerável por parte dos Sócios para recomprar as acções em bolsa (tema a desenvolver num próximo post).

Vamos então reflectir sobre as razões que levaram a este adiamento, uma vez que o comunicado redondo enviado à CMVM e as palavras do Eng. Castro Guedes acerca da burocracia envolvida pouco adiantam. Do Presidente, até ver, não há notícias.

Esta reflexão reveste-se curiosamente de alguma especulação uma vez que nunca foram dados a conhecer os contornos de toda a operação, questão que deixo para o final deste texto. No entanto penso ser lógico apontar 4 possíveis factores com influência:

- Proximidade do Mundial e vontade de conhecer as mais-valias que se conseguirão, ou não, realizar com a venda de jogadores.

- Limitações impostas ao potencial das mais-valias das VMOC (grande conquista, até agora, dos Sportinguistas que lutam contra este projecto). Apesar de não se ter visto ainda escrito, o Presidente JEB afirmou na última AG de 13/10/2009 que as mais-valias de uma possível venda da Academia reverteriam para o Sporting. Importa conhecer o custo de aquisição considerado para o cálculo dessas mais-valias, mas esta pode ser uma grande pedra na engrenagem…

- Queda livre da situação financeira da SAD, com prejuízos estimados no final do ano desportivo em 16 M.€, sem venda de jogadores.

- Dificuldade em garantir potenciais investidores, dados os receios legítimos dos mesmos face aos 3 pontos acima e à crescente falta de confiança em comprar activos geridos pelas mãos (ou cotovelos) da actual direcção.

Enfim, é pena ser necessário ter de reflectir nestes assuntos,  um mínimo de transparência na apresentação do projecto de reestruturação financeira evitaria o desperdício de tempo.

Termino colocando a questão aos companheiros de bancada – face a este problema da falta de transparência, e uma vez que nas vésperas eu e outros Sócios solicitaram, conforme os estatutos, informação sobre o plano (ex. R&C da sociedade SCS) e tudo foi recusado – devemos ou não impugnar a AG de 13/10/2009, a bem dos direitos dos Sócios?

Sporting é apenas mais uma plataforma

Não estarão a esquecer-se de algo?

Francisco Leitão, 31 de Março de 2010 17:32

Foi há dias noticiado (mais) um adiamento da implementação do mirífico plano de reestruturação financeira do Grupo Sporting, essa panaceia sempre urgente e indispensável à sobrevivência do Clube e, espera-se, à sua subsequente transmutação no prometido “Sporting Europeu” (o qual, recorde-se, nasceria como consequência da venda do património não desportivo, ocorrida há mais de três anos).

Desta feita, como consta de comunicado já transcrito neste site, o prazo foi prorrogado até final de Setembro próximo, com a justificação de não ter sido possível finalizar o plano e apresentar junto das entidades competentes o processo para emissão dos famigerados VMOCs.

O Eng. Castro Guedes, administrador da SAD com o pelouro financeiro, esclarece hoje, no jornal Record, que a “aprovação” do plano em Assembleia Geral do Clube (em Outubro de 2009) era “a peça que faltava”, que tudo já está ajustado com os bancos desde essa data e que neste momento se trata apenas de pormenores burocráticos, como a elaboração e lançamento dos prospectos da emissão. E a peça acrescenta ainda que o plano foi alvo de pequenas alterações em relação à versão inicial, uma delas resultante de uma suposta “aprovação pela Assembleia Geral da quota accionista de 50 por cento que garante ao Sporting a maioria do capital na SAD”.

A verdade é que nada disto faz grande sentido.

Em primeiro lugar, no seu comunicado de 09.01.2009 – que constituiu o primeiro adiamento do plano -, a Sporting SAD informou que a emissão de VMOCs deveria ser “objecto de deliberação prévia da Assembleia Geral do SCP”. Esta aprovação não aconteceu, porque em 13.10.2009 apenas foi aprovada atransmissão para a Sporting Sociedade Desportiva de Futebol, SAD da participação social detida pelo Clube na Sporting Comércio e Serviços, SA.

Ora, se a emissão VMOCs devia ser aprovada em Assembleia Geral do Clube – e não foi, pelo menos até à data -, como é possível que tal emissão esteja, neste momento, em fase de elaboração de prospectos? Está-se a montar toda a operação e a submetê-la aos reguladores, para depois ela eventualmente não ser aprovada, ou sê-lo em moldes distintos dos já apresentados?

Em segundo lugar, não há notícia de qualquer deliberação tomada em Assembleia Geral do Clube no sentido de aprovar uma “quota accionista de 50 por cento”. Como se disse, a Assembleia Geral de 13.10.2009 – a única que desde Janeiro de 2009 deliberou sobre o dito plano – pronunciou-se apenas e só sobre a transmissão da Sporting Comércio e Serviços para a SAD. Sobre a manutenção pelo Sporting do controlo da SAD, não se conhece mais que um compromisso verbal de conservar na posse do Clube 50,1% do seu capital – percentagem que aliás não garante controlo algum, por motivos que neste momento não vêm ao caso.

A tudo isto acresce que, da última versão global do plano de reestruturação que foi publicamente assumida – aquela que na Assembleia estatutária de 17.04.2009 se tentou impor à força de uma “norma transitória” -, constam outras medidas vertebrais que jamais foram objecto de qualquer aprovação em Assembleia Geral, como sejam a transmissão para a SAD da Academia ou a incorporação na SAD da Sporting Património e Marketing, SA (levando consigo o direito de superfície sobre o Estádio José Alvalade). Será que o novo plano deixou de as contemplar?

Perante esta situação tão equívoca, confesso-me entre o confuso e o perplexo. Resta aguardar pelos desenvolvimentos.

Project Finance (mais uma vez) adiado

Miguel Guerreiro, 26 de Março de 2010 13:39
COMUNICADO

Na sequência de notícias vindas a público recentemente e, ainda, em cumprimento da obrigação de informação que decorre do disposto no artigo 248º, nº1 al. a) do Código dos Valores Mobiliários, a SPORTING – Sociedade Desportiva de Futebol, SAD (Sporting SAD), esclarece e informar o seguinte:

(i) Por comunicado de 29 de Outubro de 2009 a Sporting SAD informou o mercado que, na sequência da celebração de um Contrato de Abertura de Crédito a 30 de Dezembro de 2008 e do comunicado de 30 de Junho de 2009, haviam as partes nessa data acordado prorrogar para 31 de Março o prazo previsto nesse contrato para a implementação de medidas necessárias ao cumprimento do plano de reestruturação financeira do Grupo Sporting;

(ii) Pese embora o esforço desenvolvido pelo Grupo Sporting e pelas Instituições Financeiras, ainda não foi possível, nesta data, finalizar o plano de reestruturação financeira e, consequentemente, entre outras medidas necessárias, apresentar junto das entidades competentes o processo para a emissão dos Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC).

(iii) Face ao exposto, o Grupo Sporting Clube de Portugal, e as Instituições Financeiras acordaram em adiar para o dia 30 de Setembro de 2010 o prazo previsto no referido contrato de Abertura de Crédito, para a conclusão das medidas de reestruturação financeira.

Lisboa, 26 de Março de 2010
O Conselho de Administração

Um Projecto Financeiro que foi anunciado como a tábua de salvação do Sporting Clube de Portugal, discutido à pressa e sem grandes detalhes (ainda hoje não sabemos o valor do passivo consolidado porque o Presidente Bettencourt recusou-se a revelar, invocando falta de condições de segurança) e aprovado à força da marreta (sucessivas Assembleias Gerais para tentar aprovar o plano) é, mais uma vez, adiado.

Afinal, e aparentemente, o Projecto Financeiro não era assim tão urgente.  Afinal, e aparentemente, ainda não será no próximo defeso de Verão que veremos o prometido aumento de investimento, como resultado da aplicação do Projecto Financeiro.

Ou será que, e aqui sou eu a colocar a hipótese, o momento não é favorável à sua implementação ou, quem sabe, à apresentação de novas medidas (invocando-se novamente a sua urgência)?

Têm a palavra os Sportinguistas!

Saudações Leoninas

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