Trabalho indiferenciado

Francisco Leitão, 24 de Março de 2010 18:42

- Miguel Salema Garção, ex-assessor de Simões de Almeida para a área da juventude, será o novo chefe de gabinete do Conselho de Administração da SAD.

(Record, 04.05.2000)

- (…) os dirigentes abordaram a questão do orçamento do Grupo Sporting que, segundo Salema Garção (director de comunicação), “ficará finalizada em breve”.

(Record, 09.06.2006)

- A nova administração da Sporting Multimédia – Silva e Costa, Pedro Afra, Salema Garção e Rolando Oliveira (…)

(Record, 18.07.2006)

- Miguel Salema Garção assumiu a direcção do jornal Sporting na tarde de quinta-feira.

(Antena 1, 03.11.2006)

- José Eduardo Bettencourt já deu a conhecer a todos os funcionários do grupo Sporting o novo modelo de organização do clube. Está assim criada uma estrutura profissional denominada comissão executiva (CE) que reporta diretamente ao presidente. (…) Miguel Salema Garção tem a seu cargo a comunicação corporativa, as relações públicas, Sporting eventos, responsabilidade social e será também o porta-voz do clube.

(Record, 26.06.2009)

- O Sporting anunciou esta sexta-feira, no âmbito da reestruturação em curso no futebol profissional, que Salema Garção irá assumir as funções de “team manager” (…)

(Record, 13.11.2009)

- Miguel Salema Garção foi o escolhido pela SAD do Sporting para suceder a Ricardo Sá Pinto nas funções de diretor para o futebol leonino.

(Record, 21.01.2010)

- Miguel Salema Garção vai assumir as funções de delegado ao jogo na partida de hoje, frente ao Trofense.

(Record, 24.01.2010)

- Miguel Salema Garção vai desempenhar novas funções na estrutura de futebol profissional do Sporting. O até agora team-manager (…) vai ficar responsável pela área comercial da SAD.

(Record, 24.03.2010)

É um fenómeno no mínimo bizarro. Há mais de uma década que, quando no Grupo Sporting se consideram nomeações para os mais distintos cargos, reais ou fictícios, necessários ou inúteis, pré-existentes ou criados ad hoc, há sempre alguém que, por feliz casualidade e em assinalável desafio ao princípio de Peter, tem o perfil indicado para os assumir.

Miguel Salema Garção devia ter sido despedido na sequência das palavras que proferiu na antevisão do Sporting – At. Madrid da passada semana, e dos acontecimentos que no dia seguinte rodearam esse jogo. Nem trato de estabelecer relação causa-efeito entre umas e outros – devia ter sido despedido, ponto, como foi despedido o Ministro que um dia contou uma piada sobre os doentes da hemodiálise, ou como, com dignidade, se despediu um Ministro sob cuja tutela uma ponte caiu ao rio.

Não foi, e após a enésima reformulação do “modelo de governo” lá vai subsistindo na nomeclatura do Sporting. Vale que ao menos recebeu um downgrade que doravante o deixa, segundo consta, a “coordenar os contactos entre os jogadores e os patrocinadores do clube”. Já é um princípio.

4 Responses to “Trabalho indiferenciado”

  1. MSS diz:

    Os cargos mudam, ele continua lá. É caso para dizer que Miguel Salema Garção sim, está sempre presente…

    Até quando vai este indivíduo continuar no Sporting sem apresentar qualquer competência para tal? São vários cargos e a competência em todos roça o nulo. Pelo menos é coerente…

  2. Pedro Silva diz:

    Volto a escrever o que já tinha escrito na crónica “Obviamente…”:

    “Ponto prévio:

    Tenha mais profunda das reticencias e reservas em relação às capacidades e competências do MSG. Assim como tenho em relação Às suas motivações e movimentações dentro da estrutura do Sporting.

    Aceito também a leitura que alguns fazem sobre o exagero e o potencial acréscimo de tensão e pressão das suas declarações, ainda que a bem da verdade o que ele disse foi retorcido no que se escreveu que ele disse.

    Agora, quem julgue que os acontecimentos de ontem foram incendiados (ou até gerados) pelas suas declarações engana-se.

    O que aconteceu iria sempre acontecer. A FA funciona e quer sempre funcionar assim. Foi no Porto, foi na Escócia, foi na Turquia…

    Eles vinham preparados e à procura. Encontraram e duvido que tenham gostado da descoberta.”

    Especificamente sobre o MSG, é de facto notável a sua habilidade para, sem qualquer habilitação ou competência aparente, se manter sempre em pé e se movimentar dentro da estrutura do clube, o que o torna num case-study de sobrevivência corporativa.

  3. JL diz:

    Pedro Silva,

    Por hipótese:

    Bettencourt, em declarações antes de um derby afirma:
    “Apelo a que todos os Sportinguistas peguem em armas e matem os lampiões que encontrarem”.

    Não se verificam distúrbios no dia de jogo, pelo que as palavras do Presidente não terão surtido efeito.

    Bettencourt tem condições para continuar a presidir o Clube depois da irresponsabilidade destas palavras?

    Conforme o Francisco indica, relação causa-efeito é de somenos aqui. Há coisas que, por virem de um dirigente com responsabilidaes, não podem ser ditas, e se forem, devem ditar a sua demissão.

    É como conduzir sob o efeito do alcóol. Não é preciso atropelar ninguém, ir em excesso de velocidade ou bater num muro. É só preciso estar-se embriagado para se ser punido.

    Assim são as palavras de MSG. Não precisam de se repercutir em actos posteriores, a irresponsabilidade e gravidade abstracta delas são suficientes para ditarem o seu afastamento.

    SL

  4. Pedro Silva diz:

    JL,

    Não me parecem situações comparáveis, sendo que para mim a importância das declarações do MSG e da sua posterior leitura (subscrita pelo autor) baseiam-se fundamentalmente na relação causa-efeito (aquilo teria acontecido mesmo que as declarações fossem de amor profundo pelos espanhóis).

    Não é comparável um incitamento explicito à violência (no teu exemplo) e um pedido de “ambiente difícil” (que por mim é interpretado como um ambiente eléctrico, mesmo que tenso, de apoio à equipa)

    O que ele disse é algo normal e corriqueiro (na minha interpretação, admitindo e aceitando outras).

    Um ambiente difícil. É o que se pede em todos os jogos (nos anos 90 era recorrente essa expressão). Um ambiente difícil, dentro do estádio, não é um ambiente de guerrilha. É um ambiente que potencie as nossas forças e faça sobressair as fraquezas dos adversários. É um ambiente como foi assistido por várias vezes na caminhada europeia de 2005, na 2ª parte do jogo para a taça com o carnide de 2008, no intervalo entre jogo e prolongamento da última final da taça e até no jogo dos 3-6 de má memória.

    Se isso implica impor respeito (outros chamarão medo, pressão) no adversário, e isto às vezes faz-se pela simples presença que seja. Mas isto não me parece de todo um incentivo à violência.

    Alegar-se-á que um elemento com responsabilidades deveria ter maior controle sobre o que comunica e medir as repercussões interpretativas do que diz publicamente. Talvez. Até posso aceitar, mas sinceramente parece-me um exagero a “irresponsabilidade e gravidade abstracta” que delas se quer tirar.

    Mais a mais quando há tantas outras coisas por onde pegar neste sempre-em-pé.

    SL

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