Yordanov…habemus jogo

Miguel Guerreiro, 23 de Março de 2010 16:54

Acima de tudo um lutador incansável, qualidade que o ajudou a superar as adversidades de um grave acidente de viação e de uma complicada doença, Ivaylo Yordanov confirmou no Sporting Clube de Portugal a sua veia goleadora, marcando 70 golos nos 222 jogos disputados ao longo das dez temporadas de leão ao peito. Ficará para sempre na memória a sua subida à estátua do Marquês de Pombal para colocar um cachecol ao pescoço do leão daquele monumento, na loucura dos festejos do Campeonato Nacional que encerrou um longo jejum.

10 de Junho de 1995 - Yordanov "bisa" na Final da Taça de Portugal

Em 2001, depois de abandonar a carreira de jogador, Yordanov aceitou o convite para treinar a equipa B do Sporting. Do contrato assinado, com início na época 2001/02 e termo no final da época 2004/05, constava, entre outras, uma cláusula que determinava a realização de um jogo de homenagem ao jogador. Foi precisamente esta cláusula que originou o diferendo que em nada dignificou a imagem do Sporting Clube de Portugal e sobre o qual tento aqui fazer um breve apanhado.

Segundo Yordanov, apesar da sua pressão para a direcção do Clube realizar o jogo de homenagem, esta nunca chegou a avançar com uma data, mesmo após entrega da lista dos participantes. Por sua vez, a direcção do Sporting alegou que o ex-jogador abandonou o posto de trabalho «mantendo-se ao serviço até Julho de 2004, altura em que desapareceu», tendo apenas interpelado o Clube para a realização do jogo a 17 de Outubro de 2005, altura em que «as circunstâncias em que o jogo de despedida tinha sido idealizado já não se verificavam».

Não tendo as partes chegado a qualquer tipo de acordo, o diferendo foi levado ao Tribunal do Trabalho em Dezembro de 2007. Em Fevereiro do ano seguinte, o tribunal deu razão a Yordanov no litígio com a Sporting SAD, podendo ler-se na sentença (o A. significa «Autor», o Yordanov; o R. significa «Réu», a Sporting SAD):

Parafraseando o lema do S. C. P. poderá dizer-se que mercê do seu esforço, dedicação e devoção (espelhada na circunstância de ter sido escolhido para “capitão de equipa”, e de ter jogado em todos os sectores, desde o ataque à defesa) ao clube, o A. contribuiu para a sua glória (o que fez em diversas ocasiões, máxime na final da taça de Portugal da época de 1994-1995, onde marcou os dois golos com que o SCP arrebatou tal título).
Este, pois, o fundamento do jogo de homenagem em questão. Com efeito, se é certo que o futebol profissional é actualmente um negócio, não menos verdade será que o mesmo permanece um jogo de paixões, e que nas relações entre os clubes, os seus jogadores, e os seus adeptos, os afectos jogam um papel importante, e a memória constitui o maior capital da mística de qualquer clube. Homenagear os homens e mulheres que contribuíram e contribuem para engrandecer qualquer clube desportivo constitui, pois, uma tarefa importante na construção dessa memória colectiva. Daí o relevo da homenagem acordada entre as partes e, certamente, a importância que o A. lhe atribui. E será certamente por isso que, como resultou provado no caso em apreço, o A. se “sentiu e sente triste e magoado por a R. não ter realizado o jogo de homenagem”, “e não pretender fazê-lo”.

A Sporting SAD anunciou posteriormente que iria interpor recurso para o Tribunal da Relação «com fundamento na nulidade da sentença, por omissão de pronuncia, e ainda por não ter o Tribunal tomado em devida consideração os factos alegados pela Sporting, SAD, os quais obstariam à procedência da acção». No entanto, a 27 de Outubro do mesmo ano, o Tribunal da Relação confirmou a sentença da primeira instância do Tribunal do Trabalho, condenando o Sporting, mais uma vez, a organizar uma homenagem ao seu antigo futebolista búlgaro.

A Sporting SAD, não satisfeita com a sentença proferida, decidiu recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça. Numa decisão tomada a 25 de Junho de 2009, mas só tornada pública no dia 2 de Julho, o Supremo Tribunal de Justiça considerou improcedente o recurso do Sporting, confirmando as sentenças da primeira instância e do Tribunal da Relação.  Tendo a Sporting SAD perdido em todas as instâncias, jogador e direcção, presidida por José Eduardo Bettencourt, reuniram-se finalmente em Outubro de 2009 para acordar a data de realização do jogo de homenagem.

Espera-se então que no dia 5 de Maio de 2010, pelas 20h30m no Estádio José Alvalade, se encerre definitivamente este triste capítulo na história centenária do Sporting Clube de Portugal que opôs a direcção a uma antiga glória do Clube, que  tão simplesmente queria um jogo para se despedir dos Sócios e Adeptos Sportinguistas.

Não teria sido mais simples e mais correcto a imediata resolução deste diferendo, sem que se tivesse que passar por um longo e penoso processo que em nada beneficiou a imagem do Clube? Destaque pessoal ainda para o facto de ser um Tribunal a relembrar aos dirigentes do Clube a extrema importância da paixão, da mística e da construção de uma memória colectiva para o contínuo engrandecimento do Sporting Clube de Portugal.

«Yordanov é credor do respeito e admiração de todos os Sportinguistas. Veio de longe mas ama a camisola Sportinguista como qualquer Adepto do Clube»

in Enciclopédia Fundamental do Sporting

Saudações Leoninas

7 Responses to “Yordanov…habemus jogo”

  1. João Mineiro diz:

    Excelente texto Miguel. Lá estaremos todos para rever Yorda, celebrar a sua carreira e espero que para encontrar vários outros grandes nomes do Sporting.

    Nota para dizer que a marcação do jogo de homenagem (e fim daquela vergonha em tribunal) foi o ponto 1. do primeiro esboço do programa eleitoral do Ser Sporting, em Novembro de 2008!

  2. manuel diz:

    Mais que justo, só peca pelo atraso

  3. Paulo diz:

    Força Iorda !!!

  4. manel rocha diz:

    O yodanov por tudo aquilo que deu ao Sporting, mereçe este jogo de homenagem, quanto aos nossos dirigentes nem comento, sao autenticos suicidas, por vezes nao são mereçedores da grandeza do clube que representam…

    Balakov, valcks, naybet, marco aurelio, nelson, amunike, costinha, oceano, scheichel, paulo sousa, paulo torres, pedro barbosa, paulo bento, cadete, juskowiak, leal, venancio, acosta, figo, andre cruz, tragam de la esta canalha….e enchamos o estadio de alvalade…

  5. Francisco Santos Ferro diz:

    Esta novela da Sporting SAD com Yordanov é (in)digna de não ser esquecida.

    Infelizmente é assim que o Sporting trata os seus ídolos. Não me lembro sinceramente de uma festa de despedida de um jogador do Sporting.

    Apesar do infortúnio que lhe bateu à porta, apesar de lhe ter sido prometida e apesar de estar contratualizada a realização de uma festa de despedida, a Sporting SAD não a fez.

    Depois de condenada em primeira instância, recorreu para a Relação. Depois de condenada na Relação, recorreu ainda para o Supremo Tribunal de Justiça.

    Uma vergonha.

    Será que ainda vamos ver aqueles que não quiseram fazer a justa homenagem a Yordanov, a aplaudi-lo?

    Esperemos que não sejam os mesmos que despedem lendas do nosso Clube para anos mais tarde baptizarem balizas com o seu nome…

    Grande Yorda, dia 5 Maio lá estarei.

  6. Pedro Silva diz:

    Toda esta história é indigna do Sporting!

    Lá tentarei estar!

  7. Miguel Guerreiro diz:

    @João Mineiro,

    Este jogo de homenagem servirá não só para homenagear condignamente Yordanov mas também outras glórias leoninas que, eventualmente, participarão.
    Bem sei que o programa do Ser Sporting o referia, por forma a acabar com a pouca vergonha de anos e anos nos tribunais a manchar o nome do Clube.

    @Francisco Ferro,

    Quem com ferro mata, com ferros morre. Tentaram a todo o custo faltar ao contratualizado e agora, contra a sua vontade e decretado por tribunal, terão que realizar o jogo de homenagem.
    Como a coerência não reina em Alvalade, os mesmos que sempre se opuseram a este jogo serão os primeiros a aplaudir e a tentar recolher os louros da organização do jogo. Viu-se com quem despediu Vítor Damas por carta e depois baptizou a baliza sul com o seu nome. Nós cá estaremos para repor a verdade.

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