Um complexo desportivo – Uma Casa para as Modalidades

Pedro Rosado Silva, 29 de Novembro de 2010 9:26

Mais uma vez são as modalidades a cumprir os desígnios ambicionados e expostos pelos fundadores e a transportar o clube para os patamares de excelência ambicionados por todos.

São elas, mais uma vez, a demonstrarem a ambição de tornar o clube num clube tão grande como os maiores da Europa, passando do discurso à prática com uma ambição muitas vezes afastada do restante do clube.

Constatemos o contributo enorme destas na realização, no tamanho e na densidade do universo Sporting. Aceitemos que merecem uma casa e esta como um factor preponderante para a vida saudável do clube, para o envolvimento dos atletas e para o retorno dos sócios e adeptos.

A cultura de diversidade e qualidade das modalidades, a interacção dos atletas entre si e a permanente presença dos adeptos sempre foram factores base para o sucesso, quer das próprias quer do clube como um todo. Foi também esse espírito a fundação para o crescimento do clube quer em património não tangível (títulos, sócios e adeptos) quer em reconhecimento de marca e potenciamento desportivo.

As modalidades são indelevelmente uma parte intrínseca do ADN do Sporting, uma enorme base de suporte da grandeza do clube, um motor da agregação de novos membros à família e um meio fundamental de levar o clube aos seus adeptos transportando e amplificando a disseminação da sua marca.

Agora que está na hora de as trazer para Alvalade, consolida-las, faze-las crescer e aproveitar as oportunidades para fazer nascer novos projectos, está também na hora de lhes conceder os meios adequados para cumprirem os seus objectivos. De fazer com que o novo espaço se adeqúe às suas exigências, responda a todas as necessidades do tradicional ecletismo do clube, sem exclusões. Será provavelmente a ultima hipótese de o fazer e elas merecem, precisam, que se faça bem.

O Sporting, mais que um simples pavilhão, deveria perseguir a ideia da construção de um complexo desportivo, onde se concentrem, sem exclusão todas as modalidades de competição. Um edifício que possibilite verdadeiramente ter as várias vertentes e escalões agrupados, que sirva de embrião a uma nova geração de campeões. Um complexo que possibilite escalonar os treinos e competições das várias equipas sem restrições, com todas as condições e em todos os escalões. Um complexo que crie as condições fundamentais para o reviver do seu espírito outrora existente na antiga nave. entre atletas, sócios e adeptos na geração de um sentimento de proximidade, pertença e militância que se alastre a outros quadrantes do clube. Um complexo que fomente o seu crescimento sustentado no apoio ao nosso inquestionável lugar como principal potencia do desporto nacional e europeia.

4 Responses to “Um complexo desportivo – Uma Casa para as Modalidades”

  1. Verdão diz:

    Infelizmente Pedro, a menos que existisse uma grande vontade de encontrar recursos suficientes que viabilizassem uma obra dessa envergadura, o Sporting por si não tem qualquer hipótese de libertar verbas num futuro imediato. As prioridades são outras. Não descarto a hipótese de poder vir a ser ponderado com outro tipo de gestão mais séria e rigorosa enquadrada num cenário macroeconómico diferente deste. Agora, com este nível de despesismo no futebol e sem uma estratégia clara de retorno de investimento na marca afim de colher sportinguismo e com isso novos consumidores dos nossos produtos, é impossível.
    Abraço de Leão,
    Verdão.

  2. Pedro Rosado Silva diz:

    @Verdão,
    Permita-me discordar. É possível. Tão possível quanto o pavilhão que se vai fazer. Bastava que programaticamente isso estivesse previsto e ambicionado.
    Nos meus estudos [Sporting - Pavilhão de Alvalade, Estudo Prévio Simplificado II], acho que consegui provar a possibilidade de no mesmo lote, com os mesmos constrangimentos existentes para qualquer solução se conseguir ser ambicioso e fazer um edifício que responda eficazmente às necessidades prementes. Um edifício que tanto comporte um grande jogo para 2500/2800 pessoas, como 2 jogos para 500 cada, com a possibilidade de decorrerem ainda treinos em duas naves adicionais (ainda por cima divisíveis) ao mesmo tempo. E ainda de “bónus” uma sala de sócios.
    E no fim de tudo, o que conta é o valor por m2. Serão sempre 9000m2 e serão sempre a esses que se terão que fazer contas.
    Bastaria ter havido vontade e coragem para fazer (e porque não discutir) um programa que efectivamente servisse mais completamente as necessidades das modalidades.
    Que não me interpretem mal no entanto. Estou muito feliz por finalmente se ir fazer o Pavilhão, qualquer que ele venha a ser. Apenas tenho pena porque sei que era possível fazer mais (do ponto de vista da resposta às necessidades).

    Abraço

  3. Verdão diz:

    Caro Pedro, não me interprete mal, por mim estou sempre disponível para ouvir soluções que enriqueçam o património do Sporting. Acho apenas que o caderno de encargos da obra que se vai fazer e da que teria em mente, seria substancialmente diferente. É a minha opinião de que o Sporting vai edificar um Pavilhão apenas e só para calar os sócios, com os requisitos minimos, muito aquém do esperado pela massa associativa do clube. Será mais uma desilusão, especialmente por não poder albergar o Hóquei que começa a renascer no clube. Para inverter isto, teria que existir a tal vontade de que falei e procurar libertar recursos que possibilitassem a diferença prevista no caderno de encargos. Ora bem, essa vontade não existe. No Sporting actual nem sequer se equaciona, as prioridades são outras.
    Abraço de Leão,
    Verdão.

  4. Pedro Rosado Silva diz:

    Mas esse é exactamente o meu ponto.
    O pavilhão terá 9000m2 em qualquer solução que se “compre”, o m2 terá um valor, este não será assim tão variável e será esse dinheiro que terá que ser gasto. Tendencialmente os custos apontarão para um mesmo valor e será esse valor que terá que ser gasto.
    Duvido que seja possível apresentar uma obra cujo custo seja abaixo de 900/1000€m2, o que é enquadrável com a solução que eu subscrevo.
    No resto, não posso infelizmente de deixar de concordar. A obra é para calar os sócios e potencialmente será mais uma desilusão (nomeadamente com a exclusão perfeitamente injustificável do hoquei baseado ao que julgo na problemática do pavimento – vide caso do Palau Blau Grana – sobre o qual já escrevi [Pavimento].
    Mas há um “twist”; o atelier escolhido não é dado a facilitismos e cedências nas suas obras (o que por si só é um reconforto neste contexto) pelo que será pouco provável uma obra menor e abarracada.
    No entanto também digo o custo da solução de cobertura ajardinada que é apontada no pedido de informação prévia, caso se mantenha, aplicado no programa desportivo ainda daria para muita coisa…

    Abraço

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