O ABC da reestruturação (e as razões pelas quais não faz sentido)

João Mineiro, 25 de Agosto de 2010 10:10

Tenho visto na blogosfera leonina, assim como nos jornais desportivos, muita falta de informação (ou desinformação consoante os casos), sobre o que é verdadeiramente o projecto de reestruturação financeira – tal como vem proposto desde o tempo de Filipe Soares Franco. Antes do mais há que esclarecer três pontos:

- Este projecto nada tem de semelhante com o que foi inicialmente negociado em 2005, ao contrário do que deixa entender aqui um blogger anónimo.

- O controlo da SAD não fica assegurado com 51% do capital, uma vez que não estão garantidos 51% dos  direitos de voto mas apenas 26,33%.

- A reestruturação financeira não permitirá investimentos avultados no futebol, como adiante se mostra, ao invés do que é dado a entender em asneiras difundidas pela Lusa e publicadas em diversos meios de comunicação.

A operação, tal como estava anteriormente planeada, processar-se-á em 3 passos.

Passo 1 – Operação Harmónio

Uma operação harmónio é uma operação através da qual uma empresa reduz parte do seu capital para cobrir prejuízos acumulados, aumentando-o em seguida através da emissão de novas acções. No fundo, é o assumir da incapacidade de recuperar prejuízos passados, “limpando” os mesmos dos capitais próprios através de uma redução de capital.

Desgraçadamente, esta é a segunda operação do género que a SAD leonina propões aos accionistas em apenas 6 anos. Já em 30 de Junho de 2004 o capital social foi reduzido de 54,9 M.€ para 22 M.€, sendo a diferença de 32,9 M.€ destinada à cobertura de prejuízos acumulados nos exercícios anteriores…

É necessário esclarecer que a operação harmónio agora  proposta, com uma redução de capital de 21 M.€ e um novo aumento de capital de 18 M.€, não irá traduzir-se numa entrada de fundos uma vez que o Sporting (Clube) irá participar no aumento de capital através de novo financiamento bancário. Os recursos postos à disposição da SAD serão utilizados para abater dívida bancária no mesmo montante, no âmbito da reestruturação. Trata-se portanto de uma mera operação de recomposição de capitais e absorção de prejuízos.

Passo 2 – Emissão de VMOC (Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis)

Por sua vez a emissão de VMOC (não são mais que obrigações que pagam juro até à conversão em acções) representa, apenas, substituição de dívida – obrigações emitidas para pagamento de dívida bancária. As obrigações permitem uma maior folga na tesouraria da SAD, através da redução anual do reembolso de capital em dívida de 55 milhões de euros, mas quase nenhuma poupança de custos/juros nos próximos anos. Imagine-se, a título de exemplo, que a entrada de fundos substitui dívida bancária com um prazo de reembolso de 20 anos – em média reduz-se o reembolso durante esse período em 2,75 M.€ por ano. Ou seja, 10% do investimento realizado em jogadores nos últimos meses !!! Ver aqui… Outra opção seria investir este dinheiro em jogadores e galopar em direcção a um passivo de 450 M.€, o que é impensável.

Essa folga de tesouraria, tem no entanto um custo brutal para os Sportinguistas. Ao emitir os VMOC, o Sporting perde a maioria do capital da SAD se não entregar os seus últimos activos à sociedade. As contas são as seguintes:

- Sporting detém actualmente 68,60% do capital da SAD de 42 M.€

- Sporting passará a deter 83,09% do capital da SAD após operação harmónio (assumindo que subscreve a totalidade do aumento de capital), do novo capital social de 39 M.€ (42 – 21 + 18)

- Sporting passará a deter 34,47% do capital da SAD após operação harmónio e emissão de VMOC, do novo capital social de 94 M.€ (39 +55)

A forma “encontrada” para garantir 51% do capital da SAD na posse do Sporting é um novo aumento de capital em espécie, ou seja, a entrega de activos à SAD por parte do SCP. O valor desses activos (X) pode facilmente ser calculado resolvendo a seguinte equação:

[(34,47% * 94 M.€) + X] / (94 M.€ + X) = 50,01%

Ou seja, X = 29,2 M.€.

Estima-se portanto que a SAD irá ficar com um capital final de cerca de 123 M.€.

Passo 3 – Integração da Academia e dos direitos de superfície do Estádio

Conhecendo a avaliação feita à Academia de pouco mais de 20 M.€ – cujo relatório nunca foi público – mas que assumia incompreensivelmente que o novo aeroporto em Alcochete não traz valor acrescentado aos terrenos, e uma vez que esse valor não perfaz os 29 M.€ acima calculados, resta ao Clube passar também para a SAD os direitos de superfície do Estádio José Alvalade.

Resultado final da reestruturação proposta

Antes ainda de revermos as consequências um facto: é absolutamente inaceitável que toda esta engenharia financeira nunca tenha sido claramente explicada aos sócios.

- No Congresso Leonino, realizado em Santarém, José Castro Guedes, mentor do projecto, limitou-se a mostrar alguns slides com as contas da reestruturação financeira numa base de caixa, recusando-se a entregar esses mesmos slides aos 50 sócios/delegados presentes, bem como qualquer outro elemento contabilístico do Grupo Sporting, conforme requerido por 8 delegados presentes, representando 200 votos de sócios. Esse requerimento nunca teve resposta, prevalecendo em Santarém a exposição contabilística de “mercearia”;

- A Sporting Comércio e Serviços foi vendida à SAD sem ser conhecido sequer um balanço da sociedade; a avaliação da Academia nunca foi tornada pública; a autorização para a redução de participação na SAD e trespasse da Academia nunca tiveram aprovação em AG;

- As Assembleias Gerais têm sido um desfilar de silêncios, justificados com a necessidade de “não maçar os sócios”, ou por “falta de condições de segurança”;

- Os pedidos de elementos informativos, ao abrigo do art.20º/1/d dos Estatutos, são constantemente ignorados, motivo mais que suficiente para impugnar qualquer Assembleia Geral. Este pedido e consequente recusa, assinada pelos serviços do Clube, são apenas um triste exemplo;

- A informação enviada para as redacções deixa entender que tudo não passa de uma operação para “dotar a SAD da capacidade necessária de investir na sua equipa de futebol“.

Ora sendo o futebol a única actividade capaz de gerar mais-valias regulares que nos levem à redução do passivo, a venda da sua gestão e capital a terceiros tem de ser explicada de forma transparente. Uma opção pela privatização da principal modalidade do Sporting e pela venda de 50% dos activos que lhe restam exige clareza.

Neste cenário final o Sporting e a intervenção dos sócios ficam limitados a:

- Gestão das modalidades;

- 25% das quotizações dos sócios,

- 50,1% de uma SAD que deixa de controlar – onde terá direito a apenas 26,3% dos direitos de voto. Note-se, a título explicativo, que as acções do tipo B estão limitadas a 10% dos direitos de voto e o Sporting apenas detém 16,33% de acções do tipo A, sem limitações de voto, conforme resulta do artigo 13º dos Estatutos da SAD.

É isto que os sócios querem?

Alternativas

Finalmente chegamos à questão final: existe alternativa?

Claro que sim.

Toda a reestruturação montada não vai permitir mais que uma ligeira redução dos encargos de tesouraria, implicando um custo imediato de alguns M.€ em custos bancários na montagem da operação, obrigando a uma perda total de poder por parte dos sócios com e ao esvaziar do Clube dos seus activos.

Por forma a conseguir o mesmo  efeito de tesouraria há que renegociar a dívida bancária para prazos mais alargados, ajustando os reembolsos de capital aos anos de venda de jogadores da formação e oferecendo em contrapartida novos colaterais aos credores. Ou reduzir a massa salarial do Grupo Sporting em 200 mil € /mês. Ou criar um Fundo de Investimento para os passes da formação. Ou criar fundos de Fomento Desportivo. Ou vender o “naming” do estádio durante alguns anos, por doloroso que seja.  Ou recuperar a dinâmica de merchandising do Clube através da rede de Núcleos do Sporting.

Ou, a hipótese mais valiosa de todas, com um efeito equivalente à reestruturação proposta pela “Geração da Dívida”.  Recuperar/angariar 20.000 sócios  – a base de todo o programa Ser Sporting.

Não seria essa verdadeiramente a solução de futuro que o Sporting necessita?

24 Responses to “O ABC da reestruturação (e as razões pelas quais não faz sentido)”

  1. NA diz:

    «É isto que os sócios querem?», Eu respondo:

    Não! Não é isto que quero para o Sporting Clube de Portugal.

    E, pergunto:

    Afinal, o que posso, comum Sócio (com zero acções na SAD), fazer para não o permitir?

  2. NA diz:

    Uma pequena nota que nada retira ao seu muito bom (e valioso) conteúdo. Após a “operação harmónio” o capital da Sociedade passa de 41 M€ para 22 M€ para depois ser aumentado em 18 M€ e não como é referido “…do novo capital social de 39 M.€ (41 – 21 + 18)…”. O resultado do novo capital de 39 M€ está correcto.

  3. João Mineiro diz:

    Caro NA, obrigado pelo alerta! A gralha foi já corrigida (é 42-21+18, antes estava 41-21+18).

    Quanto à pergunta sobre o que podem os Sócios fazer, a minha resposta é: passar a palavra. Participar. Questionar as opções das direcções de forma construtiva, criticar sempre que assim se justifique.

    Temos de ser interventivos e aumentar a exigência, há muito que nos deixámos adormecer.

  4. Francisco Ferro diz:

    Caro NA, enquanto sócio poderá fazer valer os seus direitos, recorrendo às autoridades competentes, se achar que os Estatutos do Clube (registados na Conservatória) não estão a ser cumpridos. Que é o caso.

  5. Hugo diz:

    “Por forma a conseguir o mesmo efeito de tesouraria há que renegociar a dívida bancária para prazos mais alargados, ajustando os reembolsos de capital aos anos de venda de jogadores da formação e oferecendo em contrapartida novos colaterais aos credores.”

    Duas perguntas:

    1º Isto não iria aumentar novamente os juros à banca, asfixiando outra vez o nosso problema de tesouraria?

    2º Iriamos ser obrigados pelos bancos a vender jogadores para assegurar o reembolso de capital?

    SL

  6. João Mineiro diz:

    Hugo no caso de renegociação de dívida, a mesma não aumenta, apenas estarmos mais anos a pagar capital + juros. Mas o objectivo é ajustar os reembolsos de capital aos momentos de venda de jogadores.

    Quanto à segunda questão, sermos obrigados a vender jogadores, é já isso que acontece hoje em dia.

  7. LMGM diz:

    Caro João Mineiro, pedia-lhe o favor de me responder às seguintes perguntas se lhe for possivel.

    Uma reestruturação financeira executada nos moldes preconizados pela SAD ou por si, conforme apresenta no ponto soluções, é obrigatória neste momento ou não?

    Quais são as vantagens das suas propostas em relação ao caminho escolhido pela direcção?

    Perder a maioria da SAD implica obrigatoriamente perder o controlo da SAD?

  8. Hugo diz:

    João Mineiro

    Obrigado pelo esclarecimento em relação hás duas questões anteriores e gostaria apenas de deixar uma última pergunta

    As soluções apresentadas por si, aliviam de certa forma os problemas de tesouraria, mas neste momento de que forma iriam retirar a SAD da falencia técnica e como seria feito o aumento de capital da mesma?

  9. Paulo Gonçalves diz:

    Boa tarde! gostei dos seus esclarecimentos. O meu pai – que faz as suas contas – tem tentado questionar nas assembleias e também é gozado ou impedido. Votámos na vossa lista.
    Neste momento a situação do SCP é igual a um comboio em andamento numa descida…serão precisos esforços de accionistas importantes, concertados, com o apoio da comunicação social para tirar esta gente de lá…qual a sua opinião? acha que haverá oposição com força para isso?
    Um abraço e obrigado

  10. Verdão diz:

    Obrigado por mais este esclarecimento, João. Infelizmente é habitual as perguntas de sócios ficarem sem resposta, só o custo da operação rondará os 3 Milhões de euros mas também não é divulgado.
    Abraço de Leão.

  11. Nuno Santos diz:

    Caro João Mineiro

    Mais uma vez o nosso obrigado pela ajuda que nos dá na compreensão deste “sub-mundo” que se tornou a situação financeira do nosso Sporting.

    E agradecer também a forma aplicada como todo este movimento SerSporting se tem aplicado na tentativa (desesperada) de salvar o nosso clube das mãos desta gente que tão apegada anda ao poder já lá vão 15 anos…

  12. Alexandre Paiva diz:

    Por mais esclarecimentos que sejam dados, a maioria, incrivelmente manipulizada por aqueles quese instalaram no poder, como diz o consócio anterior, já lá vão 15 anos,mudando por vezes, só os valetes,ficando sempre os mesmos ases e reis,mas como ia dizendo, essa maioria não se apercebe que estes dirigentes afundam cada vez mais o nosso clube.
    É preciso muita paciência e um grande amor ao clube para combater estes mentirosos e oportunistas e continuar a esclarecer os incautos dos gravíssimos prejuízos que estes dirigentes estão a fazer ao Sporting.
    Pela minha parte continuo, como sempre, mesmo com as retaliações sofridas,na luta para engrandecer o meu clube.

  13. José Silva diz:

    Parabéns mais uma vez pela explicação de excelência. Mas permitam-me uma crítica. Apesar de todo o esforço tardio de apresentação de uma candidatura alternativa que teve o desfecho que se conhece, o que faz falta é acção. E penso que não faltarão sócios a responder a um apelo para financiar uma acção de impugnação em Tribunal de todas estas manobras que conduzirão a breve trecho ao fim do SCP. Tudo o que está em causa para aquele grupo de pessoas são os terrenos da Academia e a sua valorização quando o novo aeroporto for construído, tal qual como fizeram com os terrenos e a construção do novo estádio. E mais, é preciso preparar já hoje uma alternativa de Direcção a esta com tempo para se tornar conhecida e para ser credível aos olhos do sócios. Um abraço

  14. João Mineiro diz:

    Caro LMGM,

    a minha resposta é, em simultâneo, sim e não sobre a obrigatoriedade de fazer a reestruturação. Sim porque temos obrigação de cumprir os nossos compromissos e, nos moldes anteriores, não o conseguiríamos fazer. Não porque esta ou sucessivas reestruturações de nada servem enquanto não equilibrarmos as contas de exploração. Com défices brutais ano após ano estamos apenas a adiar o problema.

    As vantagens do que propomos são duas: não só atacamos as questões contabilísticas, como vamos ao cerne dos problemas de tesouraria e de exploração económica do negócio.

    Quanto à maioria da SAD, mesmo com 51% das acções não garantimos o controlo da gestão.

  15. João Mineiro diz:

    Hugo, quanto à falência técnica, que hoje em dia não é preocupante em termos legais ou regulamentares uma vez que não tem quaisquer consequência prática no imediato, resolveria apenas com a operação harmónio. O aumento de capital seria feito com recurso a financiamento bancário, aumentando posteriormente as rendas da Academia (pagas pela SAD), com pagamento antecipado de alguns anos, para reembolso imediato desse mesmo financiamento – mas esta solução seria idealmente adiada até um ponto em que, eventualmente, já não seria necessária.

    SL

  16. João Mineiro diz:

    Paulo, a “oposição” continua aqui, presente, e no momento certo (em eleições) saberá apresentar novamente o seu projecto. Esperamos também que a experiência acumulada nas últimas eleições, bem como um maior capital de confiança junto dos sócios, nos permita ser mais eficazes. Já quanto à comunicação social… não é fácil.

    Abc

  17. Luis de Magalhães Pereira diz:

    José Silva,

    Ainda bem que há (mais) sócios atentos e vigilantes. Os verdadeiros inimigos do Sporting há muito que estão lá dentro. Na mouche!

    João,

    Uma pequena sugestão: Seria interessante – na medida das possibilidades do SER SPORTING – promover uma sessão de esclarecimento para sócios, adeptos e accionistas respeitante à famigerada Reestruturação. Sendo certo que aquela quadrilha dos Castros Guedes e afins não dará qualquer esclarecimento ou explicação a quem quer que seja! Até podia ser que a nossa maravilhosa comunicação social lá fosse cheirar!

  18. NA diz:

    Comecei por questionar o que poderia, eu – comum sócio, fazer contra o “sistema” instalado há 15/16 anos, na expectativa (esperança) de que O movimento se inicie (poderá ser a última oportunidade). Os Sócios (Sportinguistas), mais tarde ou mais cedo, saberão de que lado deverão estar e seguirão / apoiarão aquele que representa o melhor caminho para o Clube.

    Força (Ser) Sporting!

  19. LMGM diz:

    Obrigado pelos esclarecimentos João Mineiro.

  20. Bruno Julião diz:

    Parabéns pela reflexão. É importante não sermos amorfos na definição das estratégias estruturais para o nosso clube.

  21. Nuno Martins diz:

    Parabéns pelo texto e reflexões. Vou divulgar entre os sportinguistas que conheço.

  22. Antonio Pereira diz:

    Caro João Mineiro, obrigado pela sua reflexão, infelizmente as soluções que propoê são em minha opinião dejasuatadas da realidade. Vejamos:
    1) Alargando o prazo da dívida vai continuar a pagar-se juros avultados por muito mais anos numa altura em que o ciclo de descida de juros se vai inverter seria particularmente onoroso.A solução passará sempre por abatar o mais rapidamente possível o máximo de capital em dívida. Para diminuir os custos financeiros e assim investir na equipa de futebol.
    2)A venda de passes de jogadores por valores avultados já foi chão que deu uvas, nos dias que corem e face aos prejuizos constantes dos grandes Clubes não é possível contar com essas receitas. Além disso não saem todos os anos Ronaldos, ou Nanis.
    3)As receitas provenientes de merchandising, quotas, bilheteira só são possíveis com uma equipa competitiva. Devem ser promovidas mas em Portugal face à nossa capacidade financeira nunca serão muito elevadas, muito mais seguro é apostar forte em presenças constantes na Liga dos Campeões- receitas garantidas e possível valorização de jogadores. Esta também é a unica via para equilibrar a exploração mentendo uma equipa competitiva.
    4)Os fundos são uma possível solução mas tem o reverso da medalha, quanto perdemos com o Ronaldo por parte do passe estar no fundo, quanto deixou o Benfica de ganhar com o Di Maria e Ramires.
    5)Não faz qualquer sentido que as receitas da televisão e merchadising não estejam na SAD.
    6) Falta dizer que as acções tipo A estão protegidas e o seu voto é imprescindivel para tomar um conjunto de decisões importantes.
    7)O que mais me custa é a passagem da academia para a SAD mas infelizmente não vejo outra solução face à necessidade de reduzir imediatamente o capital em dívida.
    8)Esta realidade no Benfica e Porto já foi consumada continuam com passivos extremamente altos mas como ganham não interessa.
    9)Com este modelolo e desde que haja o cuidado e o compromisso de manter o passivo a estes níveis, temos a oportunidade de criar condições para ficar com um futuro equilibrado e competitivo.

    Cumprimentos

  23. Francisco Santos Ferro diz:

    Caro António,

    permita-me:

    1) Respondo com outra questão: quanto paga a SAD actualmente de juros, e quanto irá poupar? Sabe? Ou seja, quanto será libertado para investir na “equipa de futebol”?

    2) Os outros conseguem fazâ-lo, nos dias que correm.

    3) Certo. A questão é como conseguir uma equipa competitiva. É simplesmente com mais investimento, ou será acima de tudo com melhor gestão? O que atrais mais os Sportinguistas, jogadores como Grimi, Pongolle, Torsiglieri, ou por exemplo Moutinho, Veloso, Nani, Carriço?

    4) Os fundos são uma forma de antecipação de receitas e uma forma de partilha de risco de investimento. Pode ter o reverso da medalha, claro, mas essa é uma consequência da diminuição do risco do investimento! Mas é uma solução muito mais aceítável do que ter que vender a Academia ou diminuir a posição accionista na SAD!

    5) É a sua opinião, que respeito, claro. Mas o que deveria acontecer é que as contas da sociedade que controla os direitos televisivos (SCS) poderem ser consultadas pelos sócios na altura de tomarem a decisão de vendê-la à SAD. O que não aconteceu, e está comprovado. E, importante, que a SCS tivesse sido vendida pelo valor justo. Sabe por quanto foi vendida à SAD?

    6) Falta dizer que essas decisões não têm nada a ver com o controlo operacional da SAD, apenas são decisões de nível estratégico.

    7) Novamente é necessário saber em quanto vai ser reduzido o capital em dívida. Quanto se vai poupar com esta operação. Ah, e a passagem da Academia para a SAD não foi aprovada pelos sócios do SCP, pormenor que escapa a muita gente..

    8. Não conheço a realidade desses dois clubes ou SADs, e parece-me que é problema deles. Mas existe de facto uma diferença: é que os outros ganham, e têm o dobro das assistências nos estádios, sinal claro do abandono da massa associativa e adepta no nosso Clube.

    9) Não temos, porque com este modelo continuamos com prejuízos crónicos, como tivemos desde sempre. A última época foram € 26 M, vide R&C divulgado ontem, a acrescentar portanto aos ca. 400 milhões de passivo do Grupo Sporting. E como é possível falar em “cuidado”, se foi esta geração de dirigentes que conduziu e continua a conduiz o Clube a ruína?
    Recordo que passámos de um passivo de 30 para 400 milhões em 15 anos.

    E, last but not least, o António está a esquecer-se de algumas coisas:

    1) Investimos perto de 30 milhões de euros nos últimos 14 meses. Parece-lhe pouco? Não será suficiente para criar uma equipa competitiva?

    2) Presumindo que seja sócio, não lhe incomoda que:
    (i) os sócios não estejam devidamente esclarecidos,
    (ii) as contas consolidadas do Sporting sejam secretas, e
    (iii) os Estatutos estejam a ser atropelados com esta operação?

    Saudações Leoninas.

  24. Antonio Pereira diz:

    Caro Francisco, sou sócio há 25 anos, com lugar de Leão e Gamebox mas completamente anónimo não tendo qualquer ligação a nenhuma corrente, simplesmente preocupado com o clube.

    1) concordo consigo que tivemos uma gestão completamente irrealista e muitas vezes irresponsável ao longo dos últimos anos;
    2) Concordo que o projecto Roquette nomeadamente a construção do estádio e as receitas que daí viriam foram totalmente utópicas
    3) Concordo que os sócios estão mal esclarecidos, mas também lhe digo que perante o ambiente das ultimas assembleias não é possivel que esses esclarecimentos sejam lá prestados
    devidamente.
    Antes de tentar responder às questões que me coloca, devo dizer-lhe que a unica coisa que me levou a comentar esta análise foi a falta de soluções alternativas, as que são propostas quando muito permitem o equilibrio das contasde exploração.
    Em minha opinião a única solução possível é diminuir rapidamente o passivo remunerado, até porque a tendência vai ser que os juros aumentem.
    Tentando responder às suas questões:
    1) Suponho que entre 12 a 15 milhões ano;
    2) Conseguem fazê-lo à custa de empréstimos bancários que lhe fizeram disparar os pasivos remunerados; O Porto com excelentes vendas de jogadores e reciatas da Liga dos Campeões mantém o passivo em níveis altissimos. Isto não dura sempre.
    3)Também discordo da selecção de alguns dos jogadores que foram comprados.
    4)O fundo é uma solução para o primeiro ano porque não se criam jogadores suficientes para criar fundos constatemente. Além disso há que remunerar o fundo o que pode obrigar a vender jogadores.
    5) Se não aconteceu devia ter acontecido, tem toda a razão quanto à falta de informação.
    7)Quanto á passagem da academia para a SAD tenho ideia que foi aprovada numa assembleia já com o JEB em que foi garantido que se os terrenos fossem valorizados por causa do aeroporto essa mais valia ficaria para o Sporting.
    8) Concordo consigo que o ciclo tem que ser invertido mas passa por criar equipas competitivas em que os sócios acreditem se intusiasmem, até agora não se tem conseguido, espero que o ciclo se consiga inverter.
    9) Como já disse cocordo que tem havido má gestão nos últimos 20 anos pelo menos, apesar de tudo e de um conjunto de decisãoes que não concordo penso que o JEB está a fazer um esforço para reorganizar o grupo e tornar o clube viável.Não via as contas mas por alguns comentários que li parece-me que estão incluídos todos os investimentos na equipa de futebol e não os encaixes (Moutinho e Veloso) que as equilibrariam, além disso como sabe o cash flow é que conta e nestas contas estão sempre amortizações de passes que as prejudicam mas que não são saída de dinheiro.

    Finalmente o investimento foi quase equivalente aos desinvestimento o ivestimento liquido é nulo, apesar de concordar consigo que algumas das apostas foram erradas noemeadamente a mais cara (Pongolle) quando se investem 6.5 milhões é preciso critério.

    Como já disse concordo plenamente que os sócios não tem sido informados com o detalhe que se justifica numa operação desta natureza.

    Um abraço e Saudações Leoninas

Leave a Reply

Panorama Theme by Themocracy