Category: Crónicas

“Campo Sintético para o Sporting”

By Ser Sporting convida ..., 30 de Novembro de 2010 13:00

Publicamos aqui, com algum atraso,  um texto do blogue ma-schamba, que simpaticamente e em devida altura nos foi enviado.

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José Eduardo Bettencourt anunciou o desejo de instalar um recinto sintético no estádio do Sporting (a expressão “relvado sintético” é uma mera aldrabice, típica da prostituição jornalística). A opção é apresentada como solução de um problema, o constante mau estado dos sucessivos relvados. Uma das causas para tal é murmurada, o facto de o estádio ter “defeitos estruturais”, pois é tão elevado (achaminado, digo eu, ou seja em formato de chaminé) que provoca alterações climáticas internas arrasadoras para os relvados.

Em suma, foi mal construído. Mal planeado, mal avaliado, mal fiscalizado. Uma bronca gigantesca, milhões e milhões de euros, um estádio construído no centro da capital, e ineficaz nos seus propósitos – ter um campo de futebol. É óbvio que aí vem uma cortina de fumo em forma de enxurrada de notícias sobre as benesses e o actual desenvolvimento tecnológico dos sintéticos. Mas há dois factores adversos: por um lado nenhum dos melhores ou médios campeonatos optam por sintéticos; por outro esta opção do clube não é uma decisão positiva, é uma reacção que tenta minorar os defeitos de um brutal erro. Convém então receber as tais notícias como elas são: um serviço prestado por jornalistas corruptos, a pretenderem dar uma visão optimizadora de uma decisão menorizadora (de um mal).

Um erro – a tal chaminé de estádio, uma reduzida inclinação – que tem uma causa óbvia. Todo o processo de transacção de terrenos e sua urbanização que antecedeu esta construção implicou esta voragem imobiliária, que levou a direcção do Sporting a encerrar o estádio no menor espaço possível – com o patético episódio de sendo obrigatória a lotação de 50 000 espectadores se ter tentado contabilizar os lugares atrás dos painéis gigantes, atribuindo-os aos cegos, já que estes não viam o campo …). Foi essa vertigem de ganhar espaço urbanizável que levou a esta situação. Agora tudo correu mal, 400 milhões de euros de passivo, um estádio impraticável. É esta a elite “social” “económico-financeira” (das zezinhas e dos pituchos, do grandes bancos e das grandes construtoras) que se passeia em Portugal. Também no Sporting.

É, obviamente, um múltiplo caso de guilhotina.

jpt

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 Em http://ma-schamba.com/desporto/sporting/estadio-alvalade-2/.

Democracia…eis a questão!

By Miguel Guerreiro, 29 de Junho de 2010 10:30

Só no Sporting é que há Conselhos Leoninos e pedidos de auditorias, nos outros não há nada, temos democracia a mais.

Estas afirmações foram, num passado recente, proferidas pelo Presidente da Assembleia Geral Dias Ferreira, talvez influenciado pela sua irmã que defendia a suspensão da Democracia por um prazo de seis meses. Políticas à parte, interessa aqui centrar a discussão na Democracia no Sporting Clube de Portugal: presente ou ausente, de qualidade ou insuficiente?

Diferentes porque vivem o Clube

O Presidente da Assembleia Geral, e por inerência do Conselho Leonino, defende que no Sporting CP existe democracia a mais, dando como exemplo os outros clubes onde não existem pedidos de auditorias nem Conselhos Leoninos. Pessoalmente, coloco a questão da seguinte forma: os outros clubes têm democracia a menos e não é o Sporting CP que tem a mais. Querer comparar o Sporting CP com clubes como o SL Benfica, onde se aprovam Estatutos que diminuem a Democracia e onde mesmo as Assembleias Gerais mais importantes não ultrapassam a escassa centena de sócios, é querer comparar o incomparável. A história centenária ilustra bem a importância dos Sportinguistas na construção do Sporting CP, sendo exemplo disso a participação de muitos na construção do antigo Estádio José Alvalade, a título gratuito, apenas por amor ao Clube.

O Sporting CP é o Clube Português com as Assembleias Gerais mais concorridas, numa demonstração clara de como os Sportinguistas gostam de Ser Sporting e Pensar Sporting e de como querem participar na vida activa do Clube. Os Sportinguistas são, em última análise, um verdadeiro mecanismo de fiscalização e garante dos ideais leoninos. Se existe um Conselho Leonino é porque os Sportinguistas quiseram um órgão mais próximo das Direcções para aconselhar e apresentar diferentes perspectivas sobre determinados assuntos (se a sua função actual é essa ou não, é outro assunto). Se existem pedidos de auditoria é porque os Sportinguistas estão interessados em saber como se chegou a esta difícil situação financeira, para evitar que se repita no futuro.

Criticar para crescer

Algo que levanta sempre inflamadas discussões é a seguinte questão: criticar é deitar abaixo?! Por razões que não consigo compreender, muitos dos Sportinguistas acusam de “bota-abaixo”, levando ao extremo de indicar a porta da saída, outros Sportinguistas que criticam decisões tomadas pelas Direcções do Clube. Criticar apenas pelo prazer de criticar seria dizer “Bettencourt é mau Presidente porque tem o cabelo branco” ou “o Clube está assim porque são todos uns ladrões”. Contrariamente a estes casos, dizer que Bettencourt não esteve à altura para defender o Sporting CP (casos do arremesso de pedras na Academia ou nas constantes provocações do Conselho de Arbitragem) ou na exigência de conhecer em Assembleia Geral a verdadeira situação financeira do Clube não constituem de forma alguma críticas gratuitas. Constituem sim um direito (e porque não dever?) de qualquer Sportinguista exigir, apenas e só, o melhor para o Clube do seu coração.

As situações reportadas, nomeadamente pelo Ser Sporting, não são com o intuito de destruir o Clube. Quando aqui são levantadas questões sobre o modelo de governo instituído, sobre o perigo da crescente privatização do Futebol ou sobre os problemas financeiros criados, prendem-se apenas com a genuína preocupação pelo Sporting CP.

Outra situação que também já vi várias vezes ser referida é que se o Sporting CP fosse Campeão as críticas desapareceriam. Falando apenas por mim, mesmo que o Sporting CP seja Campeão (e desejo arduamente que seja) se existirem situações que sejam dúbias ou que pense não constituírem a melhor opção para o Clube exercerei o meu papel de Sócio, preocupado e exigente, apontando essas situações e dando a minha visão, apenas e só porque desejo o melhor. Costuma-se dizer que o óptimo é inimigo do bom. Mas porque não defender e exigir o excelente?!

Democracia sim, qualidade nem tanto

Decorrendo do acima exposto, penso que seja perceptível que defendo a máxima Democracia para o Sporting CP. No entanto, essa Democracia só é efectiva se for de qualidade, algo que actualmente poderá estar posto em causa. São exemplo dessa falta de qualidade quando informação que devia ser do conhecimento dos Sócios lhes é negada pela Direcção ou, quando prestada, é dúbia; quando se marcam Assembleias Gerais para dias da semana, em detrimento do fim-de-semana; ou quando os Estatutos ainda não foram actualizados para permitir o voto eleitoral descentralizado.

Mas a qualidade da Democracia não é só posta em causa pela cúpula directiva. É também posta em causa pelos próprios Sportinguistas que se afastam do Clube ou que deixam de ser Sócios. É-me incompreensível como, num universo actual de 83605 Sócios, dos quais (e a referência é apenas pela proximidade à sede do Clube) 19979 são residentes na cidade de Lisboa e 32024 são residentes no distrito de Lisboa, existam Assembleias Gerais apenas com 80 a 100 Sócios, como as de discussão de orçamentos ou de relatórios de contas, ou que apenas votem nas eleições pouco mais de 11000 Sócios. A Democracia começa e acaba nos Sócios do Sporting CP e a sua adesão à família leonina é o garante dessa Democracia.

Saudações Leoninas

O mito da (falta de) qualidade do plantel

By Francisco Santos Ferro, 26 de Maio de 2010 0:04

O Sporting é um clube dividido.

De um lado aqueles que conseguem de qualquer forma defender o percurso do Clube nos últimos anos, do outro aqueles que reconhecem nesse percurso o caminho do abismo.

De um lado aqueles que preferem tapar o sol com a peneira e viver na ignorância da real situação económico-financeira do Clube, do outro aqueles que pugnam para que essa situação seja conhecida dos sócios.

Da mesma forma, é curioso de verificar que, na generalidade, enquanto os primeiros defendem que o grande problema da equipa principal do Sporting (e da época que na prática já acabou há dois meses) é a falta de qualidade do plantel, os segundos reiteram que antes de mais é fundamental definir uma estrutura directiva e técnica que tenham a capacidade de criar um grupo forte. De criar uma equipa.

A tese de quem defende que a qualidade do plantel do Sporting é baixa tem várias falhas, e a mais grave, quanto a mim, é a seguinte: se a qualidade do plantel é fraca, de quem é a responsabilidade? Ao que responderão que o Sporting “não tem dinheiro”, mas esquecem-se de se perguntar as razões para tal, ou então como será possível que os outros “tenham” e o nosso Clube não.

Não pude deixar de registar com curiosidade as palavras de Augusto Inácio no mês passado, quando, à pergunta “É realista pensar que para o ano o Sporting, com reforços, vai ser capaz de lutar pelo título?”, responde desta forma:

Não. Se quer ser campeão um dia, o Sporting vai ter de apostar na criação de estruturas sólidas. Na próxima época, nem com a contratação de grandes jogadores lá vai. O Benfica e o FC Porto levam um grande avanço.

Falando no rival vizinho (e peço desculpa por isso), verifica-se que nenhum dos quatro jogadores de quem mais se fala como prováveis transferências (o paraguaio, o argentino brinca-na-areia, o agora lateral esquerdo que é Sportinguista e não quisemos ir buscar por um milhão de euros, e o central brasileiro idolatrado) foi contratado esta época. E sabemos nós o descalabro que foi a época passada nesse clube. Mas o que é facto é que todos esses jogadores participaram nesse descalabro.

Viajando agora para Norte, o nosso homónimo de Braga deixou-nos a 23 pontos de distância, com um orçamento que é uma pequena parte do nosso. Há quem se atreva incompreensivelmente a atirar que o plantel deste Clube é de superior qualidade em relação ao nosso. Quem não imagina uma equipa do Sporting com Meyong, Vandinho ou até Filipe Oliveira, todos titulares da equipa nortenha? Esquecem-se também que um dos melhores jogadores do Braga foi contratado há poucos meses pelo nosso Clube, e, depois de um breve período de estreia em grande nível, praticamente eclipsou-se, acabando a época de forma discreta.

Claramente o grande mérito desta equipa tem a ver com a criação de uma estrutura forte que proporcionou a criação de uma equipa igualmente forte. É uma estrutura que permite que a substituição de um treinador de qualidade e carismático seja feita sem qualquer problema por outro menos experiente do nosso campeonato.

O plantel do Sporting é um plantel forte, com a qualidade mais do que necessária para no mínimo lutar pelo título, da mesma forma que fez o Sp. Braga. Poderá não ser um plantel equilibrado, com a gritante falta de um lateral esquerdo não resolvida no último defeso, ou a falta de extremos desiquilibradores, fruto do teimoso losango de Paulo Bento. O Clube que formou Paulo Futre, Simão, Cristiano Ronaldo ou Quaresma não pode voluntariamente abdicar da possibilidade de potenciar os talentos que produz. A excepção dos últimos anos chama-se Nani, e já lá vai algum tempo.

O grande problema do Sporting é um problema de estrutura, que começa no topo e é transportado até à equipa. Não acredito minimamente na estrutura que está (a ser) criada na Sporting SAD. A autoridade conquista-se, através da disciplina e do respeito mútuo. A autoridade não é autoritarismo; este teme-se, não se respeita. Estamos chegados a um ponto em que são mais os jogadores do actual plantel de que se fala que querem sair do Sporting, do que aqueles (falados como possíveis contratações) que ambicionam jogar no nosso Clube. Algo nunca visto.

Por tudo o que apontei afirmo claramente que a suposta falta de qualidade do plantel é um mito criado pelos dirigentes do Sporting – não apenas o Presidente, mas também aqueles que intervêm publicamente, com o objectivo claro de criar na mente dos Sportinguistas a ideia de que é necessário dispor de e gastar mais dinheiro com aquisição de jogadores porque, de outra forma, a nossa equipa não terá possibilidade de discutir o título nacional. Este objectivo é claro: a aprovação de um obscuro “plano de reestruturação financeira”, ou, por outras palavras, um plano de aumento de capital da SAD acompanhado de venda de património do Clube para a SAD.

Sobre este assunto, veremos o que nos esperam os próximos tempos, sendo que temos que estar preparados para evitar a prossecução de medidas não aprovadas pela Assembleia Geral do Clube.

Sobre o assunto da necessidade do reforço da equipa para estarmos em condições de lutar pelo título, espero que não estejamos a falar de jogadores como Pongolle, Angulo, Caicedo, Matias Fernandez, Purovic, Grimi, Postiga, Ricardo Batista, Marian Had, Celsinho, Tiuí, Paredes, Farnerud, Bueno, Alecsandro, Edson, Luís Loureiro, Luís Filipe, Wender, João Alves, Koke, Mota, Tello, Kmet, Nalitzis ou Hanuch.

Espero que estejamos a falar, por exemplo, de jogadores como Hugo Viana, Cristiano Ronaldo, Ricardo Quaresma, Beto, Miguel Veloso, João Moutinho, Daniel Carriço ou Yannick Djaló. Estes têm uma grande vantagem para o Sporting, que é simultaneamente uma grande desvantagem para os agentes que intermedeiam a aquisição de jogadores: é que estes já pertencem ao Sporting. A outra grande vantagem é que os custos salariais são habitualmente entre metade a um quarto daqueles acima mencionados.

Expectativas para a época que aí vem? São más. Pelas razões que Inácio apontou. Não vislumbro possibilidade de lutarmos com as outras duas equipas grandes pelos dois primeiros lugares. Espero que Paulo Sérgio me surpreenda.

Modelo de “Governance”

By Miguel Guerreiro, 4 de Maio de 2010 12:21

…o modelo de governo é muito simples: consiste num Conselho Diretivo no formato em que temos hoje, com uma delegação de alguns poderes executivos numa comissão executiva extensiva a todo o universo e, portanto, a organização por sociedades dará lugar a uma organização por funções, ficando eu a acumular o pelouro de administração do futebol e o Costinha será o meu braço direito nessa área. Haverá outro pelouro com toda a componente Academia e formação, que tem na estratégia do Sporting uma importância extraordinária, com um modelo próprio de crescimento e desenvolvimento; e, depois, mais duas pessoas com mais dois pelouros. Uma com o comercial e outra com toda a parte de meios, financeira, recursos humanos, portanto, áreas de suporte ao negócio. (…) Esta visão transversal é o caminho que o Sporting necessitava urgentemente. (Record, 28 de Abril de 2010)

Muitas vezes o Presidente Bettencourt referiu a existência de conflitos internos que, por vezes, se sobrepõem aos superiores interesses do Sporting Clube de Portugal. Referiu também a existência de uma estrutura organizacional desajustada e de um modelo “altamente castrador”. No entanto, não é de esquecer que foi esta a estrutura e foram estas as individualidades que Bettencourt escolheu para a sua equipa, aquando a Assembleia Eleitoral. Esse foi, ou deveria ter sido, o momento ideal para  o delineamento de um modelo organizacional adequado. Porém, talvez fruto da precipitação, não foi dada a devida importância a tal escolha.

Em entrevista recente (excerto acima transcrito), e esquecendo o facto que foi dada aos mesmos meios de comunicação que antes tinham sido criticados em comunicado por Costinha, o Presidente Bettencourt referiu pretender reformular urgentemente todo  o modelo de “governance”, conceito que muito agrada a algumas elites, modelo esse que seria aplicado já na próxima época desportiva. Se quanto à reformulação do modelo estou totalmente de acordo – se bem que na prática as indicações dadas para o exterior são no sentido de um aumento da complexidade e não de uma simplificação da estrutura -  já a noção de urgência não consigo compreender. Vejamos:

Uma das medidas idealizadas pelo novo líder é o de recuperar e reconstituir a Comissão Executiva, onde Bettencourt será o principal decisor – funcionando como uma espécie de CEO (director-executivo) – e os directores dos diferentes departamentos do grupo terão assento. (O Jogo, 18 de Junho de 2009)

José Eduardo Bettencourt já deu a conhecer a todos os funcionários do grupo Sporting o novo modelo de organização do clube. Está assim criada uma estrutura profissional denominada comissão executiva (CE) que reporta diretamente ao presidente. (Record, 26 de Junho de 2009)

O modelo de governo do Sporting vai ser mais transversal. “Do presidente e do Conselho Directivo do clube dependerá uma Comissão Executiva, que estará representada nos conselhos de administração das sociedades”, explica Bettencourt. O presidente, que vai dirigir a Comissão Executiva, alega que o novo modelo será “uma estrutura integrada e homogénea”, organizada “por funções onde há hoje uma organização por sociedades” (O Jogo, 12 de Fevereiro de 2010)

A justificação de Bettencourt para para tal demora em implementar um novo modelo de “governance” é, segundo o próprio, de este primeiro ano de mandato ter sido “importante para me [se] aperceber de determinadas incapacidades do clube na sua organização”. Esta podia ser uma justificação totalmente plausível e razoável para quem tivesse acabado de chegar ao Clube e não tivesse conhecimento da estrutura interna e do seu modo de funcionamento. Porém, não nos podemos mais uma vez esquecer que Bettencourt não chegou ao Sporting Clube de Portugal apenas no dia 5 de Junho de 2009!

Torne-se a estrutura mais leve, mais operacional, mais responsável e  (muito importante) responsabilizável. Eliminem-se os cargos excedentes e, que de alguma forma,  se possam sobrepor. Que se crie maior cooperação entre os diversos departamentos.

As boas medidas não podem ser adiadas! O Sporting Clube de Portugal não pode continuar a ser adiado!

Saudações Leoninas

O desejo de Soares Franco

By Francisco Santos Ferro, 28 de Abril de 2010 0:18

Há uns tempos atrás, em conversa com um Sportinguista num outro espaço na internet, e dado o rumo que a conversa levava, acabei por lhe perguntar se este era sócio e se costuma comparecer nas Assembleias Gerais do Clube.

A resposta não poderia ser mais esclarecedora. Não apenas o meu interlocutor Sportinguista não era sócio, como afirmava que o Sporting não deveria ter sócios, pois era uma SAD, tal como decidido em Assembleia Geral. Contudo, apesar desta ignorância total sobre o nosso Clube, o adepto leonino orgulhava-se de ter gamebox adepto, acompanhando assim os jogos da equipa profissional de futebol.

Não pude deixar de me lembrar de uma pérola saída da boca do ex-Presidente do SCP Filipe Soares Franco, quando este afirmou, no dia 12 de Julho de 2005 ao Correio da Manhã:

Quero um clube só de futebol, sem sócios mas com adeptos que não se intrometam na gestão nem tenham voto nas eleições dos corpos sociais. Sou do Sporting por causa do futebol e não tenho empatia pelo ecletismo.

Estas declarações já não se encontram disponíveis no site do CM, podendo contudo ser encontradas em vários espaços de debate Sportinguistas, tais como aqui, aqui, aqui e aqui.

Recorde-se que Filipe Soares Franco recebeu recentemente o emblema de 25 anos de sócio do SCP, fazendo-se representar na cerimónia por um familiar.

Fica a pergunta: este Sporting, tal como existe na mente deste adepto, seria aquele idealizado por Soares Franco? Tudo leva a crer que sim.

Não são públicos os números de vendas da gamebox adepto, porque também não são públicos os números de vendas de todas as gamebox (como quase tudo no Sporting, é uma informação altamente … sensível). Não faço portanto ideia do peso da gamebox adepto nas vendas das gamebox.

Devido a este tipo de situações defendo claramente que a gamebox adepto deveria ser extinta. Não como “penalização” para o adepto que opta por não ser sócio, mas precisamente para poder captar mais sócios e para dar diferenciar positivamente o sócio do não sócio.

É absolutamente necessário que o Clube (r)estabeleça a sua aproximação com os seus sócios, consiga aumentar verdadeiramente a sua massa associativa e, acima de tudo, consiga aumentar a participação dos sócios na vida do Clube, precisamente o contrário defendido por Soares Franco em 2005.

Para tal, é imperativo criar mais vantagens para os sócios, seja através da redução clara dos preços das gamebox (política de estádio cheio), ou realização frequente de jogos com entrada gratuita para sócios ou para núcleos.

Seria também absolutamente necessário para a aproximação do Clube aos sócios o restabelecimento da confiança destes nos seus dirigentes, algo que apenas poderá acontecer mediante a prática de uma gestão transparente.

Infelizmente o Sporting caminha no sentido contrário. No sentido desejado por Soares Franco.

Saudações Leoninas.

EDIT – confira aqui as declarações de Soares Franco ao CM.

O novo Paulo Bento

By Francisco Santos Ferro, 21 de Abril de 2010 0:33

A grande dúvida que me tem assistido nas últimas 24 horas é de tentar perceber a razão da contratação do novo treinador para a equipa de futebol profissional.

Paulo Sérgio não foi escolhido por ser um conhecedor do campeonato ou do futebol Português, pois haveria certamente outros candidatos bem mais experientes nesse ponto.

Não foi também escolhido por ser uma grande promessa. É-lhe reconhecido um bom (e não um grande, muito bom ou excelente) trabalho pelos Clubes de 2º e 1º Ligas por onde passou – Olhanense, Santa Clara, Beira-Mar, Paços de Ferreira e V. Guimarães, mas sempre sem entusiasmar pelos resultados ou exibições.

Não tem um grande currículo, pois assumiu as funções de treinador principal há cerca de sete anos atrás, e com o percurso acima referido.

Por último, não é um treinador barato. A Sporting SAD pagou 600.000 Euros pela contratação deste treinador, valor acima (!) da cláusula de rescisão do treinador, cifrada em 500.000 Euros. Porque razão foi pago um valor adicional de 20% (não deve ser o IVA…) ao valor necessário para a contratação, desconfio que não o saberemos.

Ora se Paulo Sérgio não foi um treinador barato, não tem grande currículo, não é muito experiente, e não é uma grande promessa, então porque razão foi este senhor escolhido para treinar o centenário Sporting Clube de Portugal?

Na minha opinião, a resposta a esta questão é a procura da reedição da era Paulo Bento.

Muito mais do que partilhar curiosamente o nome com o antigo treinador, Paulo Sérgio Bento Brito tem características semelhantes àquele que (quer se tenha gostado ou não) marcou uma era no Sporting.

É conhecido por ser disciplinador, fazer-se respeitar, as suas equipas praticam um futebol também disciplinado, compacto, de boa concentração defensiva. Tal como o original, as equipas deste Paulo Bento também não jogam um futebol atractivo, antes privilegiam a eficácia.

É minha convicção que Paulo Sérgio Bento foi escolhido para reeditar a primeira era Paulo Bento. Esta foi uma era marcada pelos segundos lugares e por vitórias em taças, por um futebol dormente, que beneficiou da travessia do deserto encarnada para se auto-projectar perante os sócios, e que configurava a situação ideal para os dirigentes do Clube: sem exigir reforços caros, Paulo Bento ia dando conta do recado, arrecadando umas taças e colocando a equipa sempre à frente do grande rival, situação suficientemente agradável para a maioria da massa adepta e associativa.

Não vejo outra razão para a compra de Paulo Sérgio Bento.

Para ser barato, ficávamos com o actual treinador, que beneficiaria de conhecer o actual plantel.

Uma jovem promessa, pelo menos para mim, também não o é especialmente. Muito mais promessas são, por exemplo, Domingos ou André Villas-Boas (continuo a apostar que estarão os dois no Porto e no Braga, só não sabendo qual fica com qual, embora aposte mais na continuidade de Domingos…).

Se a experiência não foi o factor de decisão, o baixo custo e o elevado potencial (na minha óptica) também não, então só posso ficar com a ideia de que o treinador foi escolhido pelo perfil Paulo Bento.

Quais as consequências a curto prazo da escolha de Paulo Sérgio?

Pela amostra do dia que passou, a aceitação geral foi negativa, pelo que a margem de manobra do treinador será muito reduzida. É extremamente negativo um treinador partir para um contrato de dois anos com uma margem de manobra reduzida, pelo que os primeiros meses/jogos serão fundamentais para o sucesso a médio prazo de Paulo Sérgio no comando da equipa.

Em segundo lugar, não sendo uma escolha que entusiasme, certamente as vendas de gameboxes não irão disparar (já este ano, certamente por vergonha, não foi revelado a quantidade de gameboxes vendidas – falou-se em 24.000, muito longe do recorde de 33.000 de há três épocas), o que se irá reflectir numa diminuição cada vez maior das assistências em Alvalade.

Pelo acima exposto se depreende que não concordo mesmo nada com a escolha do treinador. Os dirigentes do nosso Clube esquecem-se, ou pretendem que os sócios e adeptos se esqueçam, que o nosso Clube é o Sporting Clube de Portugal, não é o Guimarães, o Belenenses ou o Boavista. Infelizmente é algo que vem acontecendo, de há vários anos a esta parte, com os benfiquistas Fernando Santos, José Peseiro, Paulo Bento e Paulo Sérgio, e o portista Carlos Carvalhal.

Será que se lembram ainda de um presidente do Sporting contratar o treinador bi-campeão da Holanda e ex-seleccionador inglês? É verdade que cometeu um (assumido) erro ao substitui-lo a meio da época, mas quando o fez, contratou um treinador que tinha sido campeão do mundo de sub-20.

Esta estratégia deliberada da actual linha directiva de nos querer transformar num clube de segunda, ignorando a história centenária do Sporting Clube de Portugal, afastando cada vez mais sócios da vida activa do Clube, perdendo cada vez mais adeptos entre os mais novos, tem um objectivo claro: o adormecimento da massa associativa de modo a perpetuar a sua permanência no poder, onde podem a seu belo prazer terminar o seu “projecto” para o SCP.

Não seria de admirar, daqui a uns meses, a ocorrência de (mais) uma assembleia-geral do Clube (não esquecer o último adiamento da reestruturação financeira), onde seria pedido aos sócios mais um voto de confiança e a aprovação de mais medidas de venda de património ou participações sociais com vista à libertação de meios financeiros rumo a uma equipa de futebol mais competitiva, pois “sem orçamento para mais” não será possível “lutar com as mesmas armas” com os nossos rivais (quais rivais, os rivais históricos benfica e porto, ou os actuais rivais guimarães, nacional e braga?).

Se tivéssemos um treinador capaz de transformar o actual grupo de jogadores numa equipa competitiva e a obter resultados à altura da grandeza do Sporting, esse argumento já não poderia ser usado como chantagem com os sócios para se aprovarem esse tipo de medidas.

Por último, e para que fique claro, nada tenho ou me move contra o treinador Paulo Sérgio. É meu desejo profundo que ele tenha sucesso pois o seu sucesso será o do Sporting, e acima de tudo, que ele me surpreenda e demonstre que para fazer omoletes não é necessário ovos do campo, também se fazem com ovos de aviário, que até são mais baratos e nunca vêm estragados.

Uma grande equipa não precisa de estrelas, uma grande equipa precisa acima de tudo de uma grande estrutura e de um grande treinador. Um grupo de grandes jogadores com um treinador mediano nunca será uma grande equipa, enquanto que um grupo de bons jogadores com um grande treinador pode ser a melhor equipa do mundo.

Saudações Leoninas.

Jorge Mendes SAD

By Francisco Santos Ferro, 8 de Abril de 2010 23:44

Janeiro de 2010. Novo ano. O futebol do Sporting vive nos últimos meses uma situação caótica, e o ambiente no Clube é insustentável, alimentado por um comportamento público inimaginável do Presidente do Clube e da SAD.

O Sporting não tem o mesmo orçamento para concorrer com os rivais mais directos. De facto não tem, um desses concorrentes, que até tem Sporting no nome, tem um orçamento muito inferior e está na frente da Liga.

Mas foi necessário “não termos orçamento suficiente” até Outubro de 2009. De que outro modo se conseguiria convencer os sócios a aprovar a transmissão da Sporting Comércio e Serviços para a SAD?!

Chegados a Janeiro, no auge da contestação e… quem diria? Afinal a Sporting SAD tem dinheiro para gastar, “o que for preciso”, nas palavras do Presidente. E não é que tinha mesmo? Quem diria? Explicações nem vê-las, especulações não faltaram.

A Sporting SAD, essa mesma, aquela que não tinha condições para competir com os rivais mais directos (estariam a referir-se ao Braga, ou até ao Guimarães ou ao Nacional?), afinal foi o clube que no mercado de Inverno mais gastou na Europa !!

É nessa fase que entra em cena um senhor chamado Jorge Mendes. Foi com a sua preciosa ajuda que se contratou uma pérola, certeza do futebol mundial, pela módica quantia de 6,5 M€ mais extras (normalmente os extras nestes negócios na Sporting SAD rondam os 50% do valor declarado à CMVM).

A primeira verdadeira aquisição da SAD no mercado de Inverno foi um jogador pelo qual a SAD “bateu” a cláusula de rescisão, qual clube rico. Chama-se João Pereira e, mal chegou a Alvalade, passou a ser representado por… Jorge Mendes.

É nesta fase que é contratado para Director Desportivo o Sr. Francisco “Costinha”, Sportinguista, ex-jogador do F.C.Porto, representado por… Jorge Mendes.

Entretanto a vida mexe para quatro jogadores importantes do plantel do Sporting representados pelo seu colega intermediário comissionista Paulo Barbosa:

- Miguel Veloso, o jogador do plantel com mais mercado, passa a ser representado por… Jorge Mendes;

- Yannick Djaló muda para um empresário desconhecido do grande público, quando surgiam notícias de que poderia ser representado novamente por… Jorge Mendes;

-  Izmailov, até então unanimemente considerado um exímio profissional dedicado, e após ter-se recusado a ser vendido de volta para a Rússia, vê-se envolvido num caso disciplinar grave, caso esse exposto na praça pública pelo Director Desportivo da SAD, estando neste momento com um pé fora de Alvalade;

- e Caneira, jogador experiente, caro e pouco utilizado, tem os dias contados no Clube, pelas notícias que têm saído recentemente.

Jorge Mendes é ainda empresário de outra das poucas estrelas do plantel,  Daniel Carriço, além de vários outros jogadores, enquanto que o seu amigo também comissionista Pini Zahavi é agente de João Moutinho, entre outros jogadores.

Um jovem jogador do Real Massamá, recente internacional sub-21, chamado Diogo Salomão, poderá estar em vias de se transferir para o Sporting. Quem é o seu empresário? Jorge Mendes…

É anunciado que o novo director de comunicação do Sporting (Clube ou SAD? Fica a dúvida…) é o comentador desportivo Nuno Dias, ex-funcionário da empresa Gestifute de… Jorge Mendes.

Tinha entretanto sido divulgado pela comunicação social que o treinador escolhido pelo Presidente para a próxima época, e com o qual já existia um pré-acordo, seria o jovem e promissor técnico da Académica, André Villas Boas.

É sabido que André Villas Boas, ao iniciar a sua carreira de treinador, escolheu ser representado por outro agente desportivo que não Jorge Mendes.

E eis que começam a surgir notícias que dão conta que o novo Director Desportivo não concorda com a escolha do Presidente.

Conclusão: o pré-acordo rubricado entre José Eduardo Bettencourt e André Villas Boas é rompido de forma amigável, ou seja, sem lugar a indemnizações para qualquer das partes (o treinador estará a caminho de que clube?… aceitam-se apostas, mas apenas a norte do Douro), abrindo caminho para a escolha do treinador por parte do Director Desportivo. 

 

O Sporting Clube de Portugal detém, de forma directa, uma participação de 16,3 % na Sporting SAD e, de forma indirecta através da Sporting SGPS, uma participação adicional de 52,3%.

O Presidente do Conselho de Administração da SAD é o Sr. José Eduardo Bettencourt, Presidente do Sporting Clube de Portugal eleito a 5 de Junho de 2009, há quase um ano atrás.

Os sócios do Sporting Clube de Portugal, Clube que (ainda) é dono de 68,6% da Sporting SAD, não elegeram Jorge Mendes, nem elegeram Francisco “Costinha” para gerir o Clube. Os sócios elegeram Órgãos Sociais, liderados por José Eduardo Bettencourt.

Pois chegamos à simples conclusão que o Sr. Jorge Mendes trata das contratações da Sporting SAD, define os jogadores a dispensar e a vender, escolhe o director desportivo da SAD, selecciona o director de comunicação (do Clube??) e impõe a escolha do treinador, obrigando à resolução do pré-acordo realizado pelo Presidente da SAD e do Clube.

Sendo assim, faz sentido o Sr. Bettencourt ganhar 28 mil Euros mensais para subcontratar (outsourcing, para estar na moda) toda a gestão e todas as decisões na SAD?

Será isto que os Sócios do Sporting querem?

Saudações Leoninas

Trabalho indiferenciado

By Francisco Leitão, 24 de Março de 2010 18:42

- Miguel Salema Garção, ex-assessor de Simões de Almeida para a área da juventude, será o novo chefe de gabinete do Conselho de Administração da SAD.

(Record, 04.05.2000)

- (…) os dirigentes abordaram a questão do orçamento do Grupo Sporting que, segundo Salema Garção (director de comunicação), “ficará finalizada em breve”.

(Record, 09.06.2006)

- A nova administração da Sporting Multimédia – Silva e Costa, Pedro Afra, Salema Garção e Rolando Oliveira (…)

(Record, 18.07.2006)

- Miguel Salema Garção assumiu a direcção do jornal Sporting na tarde de quinta-feira.

(Antena 1, 03.11.2006)

- José Eduardo Bettencourt já deu a conhecer a todos os funcionários do grupo Sporting o novo modelo de organização do clube. Está assim criada uma estrutura profissional denominada comissão executiva (CE) que reporta diretamente ao presidente. (…) Miguel Salema Garção tem a seu cargo a comunicação corporativa, as relações públicas, Sporting eventos, responsabilidade social e será também o porta-voz do clube.

(Record, 26.06.2009)

- O Sporting anunciou esta sexta-feira, no âmbito da reestruturação em curso no futebol profissional, que Salema Garção irá assumir as funções de “team manager” (…)

(Record, 13.11.2009)

- Miguel Salema Garção foi o escolhido pela SAD do Sporting para suceder a Ricardo Sá Pinto nas funções de diretor para o futebol leonino.

(Record, 21.01.2010)

- Miguel Salema Garção vai assumir as funções de delegado ao jogo na partida de hoje, frente ao Trofense.

(Record, 24.01.2010)

- Miguel Salema Garção vai desempenhar novas funções na estrutura de futebol profissional do Sporting. O até agora team-manager (…) vai ficar responsável pela área comercial da SAD.

(Record, 24.03.2010)

É um fenómeno no mínimo bizarro. Há mais de uma década que, quando no Grupo Sporting se consideram nomeações para os mais distintos cargos, reais ou fictícios, necessários ou inúteis, pré-existentes ou criados ad hoc, há sempre alguém que, por feliz casualidade e em assinalável desafio ao princípio de Peter, tem o perfil indicado para os assumir.

Miguel Salema Garção devia ter sido despedido na sequência das palavras que proferiu na antevisão do Sporting – At. Madrid da passada semana, e dos acontecimentos que no dia seguinte rodearam esse jogo. Nem trato de estabelecer relação causa-efeito entre umas e outros – devia ter sido despedido, ponto, como foi despedido o Ministro que um dia contou uma piada sobre os doentes da hemodiálise, ou como, com dignidade, se despediu um Ministro sob cuja tutela uma ponte caiu ao rio.

Não foi, e após a enésima reformulação do “modelo de governo” lá vai subsistindo na nomeclatura do Sporting. Vale que ao menos recebeu um downgrade que doravante o deixa, segundo consta, a “coordenar os contactos entre os jogadores e os patrocinadores do clube”. Já é um princípio.

Adeptos do Desporto Rei

By Ser Sporting convida ..., 24 de Março de 2010 10:44

O futebol português teve, de facto, três violentos episódios nas última semanas. É uma singela constatação. Preocupante? Um indício de algo?

Verifico que muitos se desdobram em justificações de ordem sociológica ou política, sempre colocando as claques debaixo de fogo. Em contra-ciclo com a opinião popular da moda, direi que as claques têm um papel importante no futebol, pela cor e animação que transmitem ao mesmo e pela organização vocal que propicia, em determinados momentos, soberbo apoio aos seus clubes.

Existiram excessos nos últimos tempos. Escusar-me-ei de os detalhar pois são do conhecimento público. Mas creio que as responsabilidades serão sempre repartidas, mesmo que em partes desiguais, entre adeptos não organizados, claques, polícia, comunicação social e dirigentes desportivos. Enquanto tal não for devidamente assumido por todos e preferirmos, ao invés, apontar o dedo em exclusivo a alguém, não poderemos partir para a resolução de um problema que nos deverá preocupar a todos.

O erro das generalizações, consiste em tomar o todo pela parte. E, neste momento, gostaria de destacar o importante papel que os adeptos podem, e devem, ter no futuro do futebol europeu. Os adeptos, sobretudo aqueles não organizados, devem procurar intervir cada vez mais, de forma responsável, nos seus clubes, estabelecer plataformas de debate e canais de comunicação e colaborar activamente no crescimento daqueles.

Michel Platini e a UEFA já reconhecem o papel que os adeptos podem vir a desempenhar no futuro, considerando-os um importante parceiro de diálogo enquanto um dos principais stakeholdes do futebol.

Em Portugal temos ainda alguns passos a dar, ao nível federativo, ao nível da Liga, mas, sobretudo, ao nível dos adeptos dos diversos clubes.

A Associação de Adeptos Sportinguistas tem sido contactada por adeptos de outros clubes, motivado por alguma curiosidade e igualmente a necessidade daqueles em intervirem activamente nos seus clubes. Temos prestado o apoio possível, sabendo a priori que qualquer projecto desta natureza e dimensão envolve muito trabalho e dedicação. Um verdadeiro espírito de missão. E tal estará sempre a cargo dos seus promotores.

Esta semana, foram-me solicitadas algumas palavras a serem transmitidas a um grupo de adeptos do Brescia que irão, em breve, fundar uma Trust. Palavras de carácter motivacional, sobretudo.

Muito se está a passar em Itália, nos dias que correm, com inúmeros adeptos de clubes a procurarem estabelecer bases para criarem as suas Trust e aumentarem o poder interventivo nos seus próprios clubes, fruto da aquisição de uma, maior ou menor, posição accionista.

Em Portugal, tal nunca foi considerado, pensarão alguns. Quiçá mais ingénuos. Existindo em Portugal um modelo misto de gestão, que agrega o associativismo com a capitalização bolsista, nunca tal modelo de participação foi, de facto, necessário dado que nós, adeptos, podemos ter sempre voz nos nossos clubes bastando para tal que nos tornemos sócios. Assim, pelo menos pela via da presença em Assembleias gerais ou pelo exercício de voto nestas, eleitorais ou não, podemos democraticamente indicar a nossa opinião.

Mas toda esta democraticidade termina no momento em que se procura cada vez mais reduzir o peso do Associativismo, tornando os clubes minoritários nas suas SADs, quer ao nível de capital quer, sobretudo, ao nível de direitos de voto.

Não deixa de ser curioso que, num momento em que o Parlamento espanhol já discute a hipótese das SADs de clubes espanhois poderem ser novamente convertidas para o modelo puramente associativista, em Portugal se continue a procurar maior exposição em bolsa em busca do propalado, mas inexistente, “El Dorado” à custa dos sócios das instituições.

Lá diz o povo que andamos sempre a reboque…e, infelizmente, a seguir sempre os maus exemplos.

Pois eu diria que está a chegar a hora de seguirmos um bom exemplo. Eu diria que está na hora dos adeptos sportinguistas demonstrarem o seu sentido de responsabilidade, dedicação e amor ao clube, e posicionarem-se na vanguarda do futebol nacional.

A hora está a chegar…o momento está definido…com a singela ajuda de todos, nada será como dantes!

Sporting Clube de Portugal, SEMPRE!

Saudações Leoninas,

Pedro Faleiro Silva

Associação de Adeptos Sportinguistas

Conselheiro Leonino Sporting Clube de Portugal

Yordanov…habemus jogo

By Miguel Guerreiro, 23 de Março de 2010 16:54

Acima de tudo um lutador incansável, qualidade que o ajudou a superar as adversidades de um grave acidente de viação e de uma complicada doença, Ivaylo Yordanov confirmou no Sporting Clube de Portugal a sua veia goleadora, marcando 70 golos nos 222 jogos disputados ao longo das dez temporadas de leão ao peito. Ficará para sempre na memória a sua subida à estátua do Marquês de Pombal para colocar um cachecol ao pescoço do leão daquele monumento, na loucura dos festejos do Campeonato Nacional que encerrou um longo jejum.

10 de Junho de 1995 - Yordanov "bisa" na Final da Taça de Portugal

Em 2001, depois de abandonar a carreira de jogador, Yordanov aceitou o convite para treinar a equipa B do Sporting. Do contrato assinado, com início na época 2001/02 e termo no final da época 2004/05, constava, entre outras, uma cláusula que determinava a realização de um jogo de homenagem ao jogador. Foi precisamente esta cláusula que originou o diferendo que em nada dignificou a imagem do Sporting Clube de Portugal e sobre o qual tento aqui fazer um breve apanhado.

Segundo Yordanov, apesar da sua pressão para a direcção do Clube realizar o jogo de homenagem, esta nunca chegou a avançar com uma data, mesmo após entrega da lista dos participantes. Por sua vez, a direcção do Sporting alegou que o ex-jogador abandonou o posto de trabalho «mantendo-se ao serviço até Julho de 2004, altura em que desapareceu», tendo apenas interpelado o Clube para a realização do jogo a 17 de Outubro de 2005, altura em que «as circunstâncias em que o jogo de despedida tinha sido idealizado já não se verificavam».

Não tendo as partes chegado a qualquer tipo de acordo, o diferendo foi levado ao Tribunal do Trabalho em Dezembro de 2007. Em Fevereiro do ano seguinte, o tribunal deu razão a Yordanov no litígio com a Sporting SAD, podendo ler-se na sentença (o A. significa «Autor», o Yordanov; o R. significa «Réu», a Sporting SAD):

Parafraseando o lema do S. C. P. poderá dizer-se que mercê do seu esforço, dedicação e devoção (espelhada na circunstância de ter sido escolhido para “capitão de equipa”, e de ter jogado em todos os sectores, desde o ataque à defesa) ao clube, o A. contribuiu para a sua glória (o que fez em diversas ocasiões, máxime na final da taça de Portugal da época de 1994-1995, onde marcou os dois golos com que o SCP arrebatou tal título).
Este, pois, o fundamento do jogo de homenagem em questão. Com efeito, se é certo que o futebol profissional é actualmente um negócio, não menos verdade será que o mesmo permanece um jogo de paixões, e que nas relações entre os clubes, os seus jogadores, e os seus adeptos, os afectos jogam um papel importante, e a memória constitui o maior capital da mística de qualquer clube. Homenagear os homens e mulheres que contribuíram e contribuem para engrandecer qualquer clube desportivo constitui, pois, uma tarefa importante na construção dessa memória colectiva. Daí o relevo da homenagem acordada entre as partes e, certamente, a importância que o A. lhe atribui. E será certamente por isso que, como resultou provado no caso em apreço, o A. se “sentiu e sente triste e magoado por a R. não ter realizado o jogo de homenagem”, “e não pretender fazê-lo”.

A Sporting SAD anunciou posteriormente que iria interpor recurso para o Tribunal da Relação «com fundamento na nulidade da sentença, por omissão de pronuncia, e ainda por não ter o Tribunal tomado em devida consideração os factos alegados pela Sporting, SAD, os quais obstariam à procedência da acção». No entanto, a 27 de Outubro do mesmo ano, o Tribunal da Relação confirmou a sentença da primeira instância do Tribunal do Trabalho, condenando o Sporting, mais uma vez, a organizar uma homenagem ao seu antigo futebolista búlgaro.

A Sporting SAD, não satisfeita com a sentença proferida, decidiu recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça. Numa decisão tomada a 25 de Junho de 2009, mas só tornada pública no dia 2 de Julho, o Supremo Tribunal de Justiça considerou improcedente o recurso do Sporting, confirmando as sentenças da primeira instância e do Tribunal da Relação.  Tendo a Sporting SAD perdido em todas as instâncias, jogador e direcção, presidida por José Eduardo Bettencourt, reuniram-se finalmente em Outubro de 2009 para acordar a data de realização do jogo de homenagem.

Espera-se então que no dia 5 de Maio de 2010, pelas 20h30m no Estádio José Alvalade, se encerre definitivamente este triste capítulo na história centenária do Sporting Clube de Portugal que opôs a direcção a uma antiga glória do Clube, que  tão simplesmente queria um jogo para se despedir dos Sócios e Adeptos Sportinguistas.

Não teria sido mais simples e mais correcto a imediata resolução deste diferendo, sem que se tivesse que passar por um longo e penoso processo que em nada beneficiou a imagem do Clube? Destaque pessoal ainda para o facto de ser um Tribunal a relembrar aos dirigentes do Clube a extrema importância da paixão, da mística e da construção de uma memória colectiva para o contínuo engrandecimento do Sporting Clube de Portugal.

«Yordanov é credor do respeito e admiração de todos os Sportinguistas. Veio de longe mas ama a camisola Sportinguista como qualquer Adepto do Clube»

in Enciclopédia Fundamental do Sporting

Saudações Leoninas

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