Demissão

Francisco Santos Ferro, 16 de Janeiro de 2011 0:19

O Presidente do SCP demitiu-se.

Após ter sido consumada a venda dos VMOCs.

Após ter sido consumada a venda da Academia à SAD.

Após ter sido consumada a venda da SCS (detentora dos direitos de transmissão televisiva) à SAD.

Aguardemos pelos esclarecimentos do PMAG.

O regresso do futebol de Paulo Bento

Francisco Santos Ferro, 29 de Novembro de 2010 7:00

Ontem, no empate em casa com o líder Porto, voltámos a ver um Sporting que foi imagem de marca do reinado de Paulo Bento.

Equipa montada num confuso 4-4-2, com os obrigatórios dois avançados da era anterior, com o meio-campo de distribuição algo confusa, com quatros médios centro, sem alas.

Inexistente capacidade de criação de jogo ofensivo em apoio. A opção, por incapacidade ou não, foi outra. Transições rapidíssimas, jogo directo, jogo de luta.

Não é este o modelo de jogo de uma equipa grande, nem deveria nunca ser este o modelo de jogo do Sporting. Não o é nas camadas jovens, quase nunca o é nas equipas grandes e vencedoras.

A forma de jogar foi o de uma equipa pequena, ao passo que o modelo de jogo do nosso adversário de ontem foi o oposto.

Por outro lado, a atitude da equipa foi enorme, disputando cada lance como se fosse o último. Atitude guerreira, fundamental para termos conseguido não deixar o adversário construir. Igualmente voltou o jogo directo, de Polga para Liedson. Liedson que esteve em bom nível, com este estilo de jogo.

Foi esta, durante quatro anos, a imagem de marca do futebol do Sporting. Na minha opinião, com resultados entre o fraco e o mediano, e com consequências desatrosas ao nível da desmobilização da massa adepta, da fraca evolução de vários jovens jogadores, da exigência dos Sportinguistas para com a sua equipa, e pior, para com o seu Clube.

Ontem perdemos dois pontos. Foi portanto um mau resultado. E é esta a mentalidade que qualquer Sportinguista, sócio, adepto, dirigente ou funcionário deve ter quando se fala do Sporting Clube de Portugal.

Em casa é para ganhar, sempre e seja com quem for.

Saudações Leoninas

8.742 espectadores

Francisco Santos Ferro, 21 de Novembro de 2010 22:27

Taça de Portugal. Estádio José de Alvalade. Sporting 1 – Paços Ferreira 0.

.

Número médio de espectadores por jogo na Liga (fonte: www.lpfp.pt):

Porto 40.934

Benfica 40.295

Sporting  23.570

V. Guimarães 16.276

Braga 11.910

Isto sim, é preocupante. Isto sim, deveria fazer pensar todos os Sportinguistas se, de facto, estamos no bom caminho.

Se estamos «à distância de um clique».

Outra vez a falta de maturidade?

Francisco Santos Ferro, 9 de Novembro de 2010 22:40

Com a justificação de uma suposta falta de maturidade de uma equipa construída desde há várias épocas pela mesma equipa técnica, mesma equipa dirigente e mesma equipa directiva, foi realizada uma revolução a nível da constituição do plantel para esta época, tendo sido contratados vários jogadores de maior idade, como Valdes, Maniche ou Evaldo, e tinha sido também contratado o experiente Pedro Mendes e efectivado novo contrato com Liedson.

Ao mesmo tempo, foram vendidos os dois jogadores mais valiosos da equipa e dos mais importantes, Moutinho e Veloso, que contabilizavam juntos cerca de 400 jogos na equipa principal, e foram dispensados Tonel e Caneira.

Na devida altura (ver aqui), levantei sérias dúvidas sobre esta estratégia.

Verificamos agora que, praticamente com trinta jogos realizados, entre particulares e oficiais, desde o início da época, a equipa não tem, nas palavras do seu treinador, a maturidade suficiente para manter uma vantagem de dois golos, em Alvalade, a um quarto de hora do fim do jogo, perante um actual concorrente directo na Liga.

A estratégia falhou.

Muitos crucificam o bode expiatório, o jogador Maniche.

Ontem não perdemos o jogo porque Maniche (jogador que supostamente deveria acrescentar experiência e maturidade à equipa, e que verá em breve o seu contrato automaticamente renovado, segundo se diz, para valores da ordem dos 1,5 M€ anuais – correspondem a mais de 6% dos «custos com pessoal» da época passada) teve uma atitude irreflectida.

Perdemos o jogo, isso sim, porque a equipa não teve capacidade para o controlar. Chamem-lhe falta de maturidade, eu chamo-lhe falta de competência, de treino, de definição de uma estratégia para a equipa, de um modelo de jogo, de uma estabilidade táctica, de os jogadores saberem o que fazer dentro do campo. Simplesmente o Sporting nunca pode perder aquele jogo naquelas condições, jogasse com 10, com 9 ou com 8 jogadores. As responsabilidades não são de um jogador só – afinal estávamos a ganhar por dois, não estávamos empatados ou a perder!

Os Sportinguistas reagem, naturalmente, colocando tudo em causa devido a uma derrota. Não concordo. Nem tudo está bem porque se ganha um jogo, nem tudo passa a estar mal porque se perdeu um jogo. Esta derrota acaba por ser mais um sintoma, cada vez mais frequente, do estado do nosso Clube. Da falta de estratégia que considero existir, desde que este Conselho Directivo e este Presidente do CA da SAD entrou em funções.

Como disse, nem tudo passa a estar mal porque perdemos este jogo. Considero, isso sim, que tudo já estava e continuaria a estar mal mesmo que tivéssemos ganho este jogo.

Saudações Leoninas.

Quem está pior, o Sporting ou o país?

Francisco Santos Ferro, 2 de Novembro de 2010 19:00

A comparação entre a situação do Sporting Clube de Portugal e a do estado do nosso país já foi aflorada por alguns cronistas. Não muitos, porque são poucos os que ousam exprimir opinião crítica sobre o Sporting. O Clube, não a equipa de futebol profissional.

As semelhanças entre as duas instituições, uma centenária e outra quase milenar, são por demais evidentes.

  1. Ambos gastam muito acima do que podem.
  2. Ambos têm um desequilíbrio orçamental gravíssimo.
  3. Ambos são governados por pseudo-elites.
  4. Em ambos é passada a mensagem de que apenas essas elites os podem governar; no Sporting simplesmente “porque sim” ou “porque não se vê alternativa”, no país porque o sistema político assim o define.
  5. Em ambos a banca exerce um poder decisivo.
  6. Enquanto o Sporting vende património, nuns casos autorizado pelos sócios e noutros nem por isso, Portugal vende as suas empresas, usando e abusando das privatizações, sob uma capa qualquer de liberalização de sectores não estratégicos.
  7. Ambos possuem uma série de empresas, nas quais são albergados os pertencentes às pseudo-elites, ou com as quais estes executam as suas negociatas.
  8. Ambos possuem um líder de governo no qual os governados, regra geral, não se revêem, e pior, no qual não confiam.
  9. Em ambos, quem governa, fá-lo única e exclusivamente pelo poder, i.e. para se manter no poder.
  10. Ambos atingiram um estado desastroso, que apenas não surpreendeu os mais atentos. Em ambos os casos, não se vislumbra como será possível sair das respectivas crises actuais.

Contudo, existem também diferenças, e fundamentais: 

1. Enquanto na política existe uma imprensa atenta, crítica, uma parte dela independente, no futebol tal não acontece. Quase toda a imprensa desportiva é comprometida com os poderes instituídos. Este facto impede que muita informação fundamental chegue à grande maioria dos nossos sócios e adeptos. 

2 . No país, por via do próprio sistema democrático instituído, existe oficialmente uma oposição. O que, per si, proporciona a existência de uma visão crítica, que não é apenas bem vista, mas que existe precisamente por ser um dos pilares da própria democracia. No Sporting, apesar da existência do Órgão Social Conselho Leonino e de nele poderem estar representados elementos não afectos à lista vencedora do acto eleitoral, a sua actuação e os seus poderes são muito limitados, sendo estes praticamente apenas consultivos.

3. A crítica à acção dos governantes da Nação é normal, diria mesmo, um hábito em cada político, jornalista, crítico político, em qualquer Português. Ao invés, no Sporting Clube de Portugal, é usual os seus responsáveis apelidarem os seus críticos de anti-Sportinguistas, e de responsáveis pelos maus resultados desportivos ou pelo adiamento na tomada de medidas de saneamento financeiro, que os mesmos consideram fundamentais, mas que não querem explicar devidamente.

Enquanto na política é fácil perceber a crítica e a sua própria existência, no Sporting acontece o contrário: quando se criticam os Órgãos Sociais eleitos, quando se criticam administrações da SAD, quando se criticam as actuações e as decisões de ambos, é passada a ideia de que se está a criticar o próprio Clube, o que é completamente errado.

Porque são apelidados de anti-Sportinguistas aqueles que ousam colocar em causa o desempenho dos responsáveis do Clube, e não é considerado anti-patriota quem se atreve a analisar, discutir, criticar o governo da nação? 

4. As contas do Estado são públicas. As do Sporting Clube de Portugal são secretas. Não as da SAD, nem as da actividade desportiva do Clube. Mas sim as de todo o Grupo Empresarial do Sporting Clube de Portugal, constituído por quase uma vintena de empresas. As contas consolidadas de todo o Grupo Sporting não são divulgadas aos sócios do Sporting CP, afinal os seus próprios donos.

5. Enquanto que para controlar as contas do Estado temos um Tribunal de Contas, para controlar as do Sporting CP temos um Conselho Fiscal e Disciplinar, eleito juntamente com aqueles que se propõem “fiscalizar”.

 

É por isso que, apesar das semelhanças, a conclusão acaba por ser simples: o nosso Clube está muito pior do que o nosso país.

Uma Academia, anormal e imprevista

Francisco Santos Ferro, 26 de Outubro de 2010 19:30

No passado dia 6 de Outubro, a SPORTING – Sociedade Desportiva de Futebol, SAD, emitiu um comunicado à CMVM sobre a compra da Academia Sporting Puma ao Sporting Clube de Portugal. Nele se inclui a seguinte passagem:

Caso no futuro se verifique uma valorização anormal e imprevista da Academia, fundada exclusivamente em alterações das circunstâncias legais e urbanísticas do imóvel, reverterá para o Sporting Clube de Portugal a mais-valia que a Sporting SAD venha a realizar com a transmissão a terceiro.

De facto, pouca coisa é normal hoje em dia no Sporting  Clube de Portugal, pelo que esta forma de contornar o compromisso assumido nas Assembleias Gerais é tudo menos imprevista.

Sobre a primeira parte desta passagem, suscitam-me as seguintes dúvidas:

  • A partir de quanto se considera uma valorização como “anormal”?
  • Qual a valorização que está prevista, e a partir de quanto ou em que situações se poderá considerá-la como “imprevista”?
  • E se a valorização for de facto anormal, mas dentro do previsto?
  • E, se pelo contrário, for imprevista, mas nada anormal?

A segunda parte desta nota coloca condições adicionais à anormalidade e à imprevisibilidade da tal valorização. É que esta só será considerada caso seja fundada “exclusivamente” em duas condições, que se têm que verificar cumulativamente: alterações das circunstâncias legais e alterações das circunstâncias urbanísticas. Pergunto:

  • Se acontecer uma valorização fundada não apenas nas condições acima descrita, mas também noutras que venham a ocorrer, a mais-valia de uma venda a terceito reverterá para o SCP?
  • Se a mesma acontecer, por via de alteração urbanística, mas sem alteração da “circunstância legal”, ou vice-versa, a mais-valia de uma venda a terceito reverterá para o SCP?

O compromisso assumido, em pelo menos duas Assembleias Gerais, pelo Conselho Directivo do SCP, nas pessoas do seu Presidente José Eduarto Bettencourt e do seu recem-eleito com 50,19% dos votos José Filipe de Mello e Castro Guedes que também usa José Filipe Nobre Guedes, foi simples:

A mais valia de uma venda da Academia revertirá para o Sporting Clube de Portugal.

 Sem menções a anormalidades ou imprevisibilidades, ou sujeita a qualquer condição.

Por outro lado, da mesma forma que a Sporting SAD comunicou aos seus accionistas e ao mercado a aquisição de um activo importante, continuo à espera que o Sporting Clube de Portugal comunique aos seus sócios que vendeu, por outras palavras alienou, esse mesmo activo.

A alínea n do nº 1 do artigo 44º dos Estatutos do SCP é explícita quando refere que compete exclusivamente à Assembleia Geral “autorizar, mediante proposta fundamentada do Conselho Directivo, a aquisição ou alienação de bens imóveis (…)”, enquanto que o nº 3 do mesmo artigo acrescenta que “as deliberações relativas à alienação ou oneração de imóveis ou de participações sociais exigem maioria de, pelo menos, dois terços dos votos”.

Ora, dito de uma forma muito simples, isto nunca aconteceu.

Nunca a Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal autorizou a alienação da Academia Sporting Puma.

Por esse motivo, esta transacção é ilegal.

Os acima mencionados responsáveis do Conselho Directivo do SCP explicaram aos sócios em Assembleia Geral, que a aprovação desta transacção teria ocorrido durante a famosa Assembleia Geral realizada a 28 de Maio de 2008 no Pavilhão Atlântico. Acontece que o resultado da votação da proposta única apresentada foi de 63,71% de votos favoráveis, pelo que a mesma não obteve os necessários 66,67% dos votos.

Neste momento cabe aos sócios do SCP fazerem valer os seus direitos, e velarem pelos Estatutos do seu Clube. Mais do que um direito, é um dever dos sócios lutar pelo Sporting Clube de Portugal que lhes foi deixado.

Saudações Leoninas

Acerca do orçamento de quem vai à frente…

Francisco Santos Ferro, 26 de Outubro de 2010 7:25

Analisemos o onze inicial da equipa do Porto, que ontem goleou a União de Leiria:

  • Helton – € 1 M *
  • Fucile – € 1 M *
  • Rolando – € 1 M *
  • Maicon – € 1 M *
  • Alvaro Pereira – € 4,5 M
  • Fernando – € 1 M *
  • João Moutinho – € 11 M
  • Ruben Micael – € 3 M
  • Hulk – € 5,5 M
  • Falcão – € 3,9 M
  • Varela – € 0 M

* Informação oficiosa

  • André Villas-Boas – € 0,25 M

Total = € 33,15 M

Se pensarmos que Moutinho foi jogador formado na nossa casa, com custo de aquisição nulo, assim como Varela, se pensarmos que tínhamos um pré-acordo com André Villas-Boas que Costinha se apressou a rescindir para podermos contratar Paulo Sérgio por € 0,6 M, se pensarmos que nos últimos 16 meses gastámos perto de € 30 M na aquisição de jogadores, facilmente verificamos que a inferioridade exibicional e de resultados da nossa equipa nada tem a ver com orçamento ou falta dele.

Saudações Leoninas.

A posição do SCP sobre os acontecimentos da Assembleia Geral

Francisco Santos Ferro, 18 de Outubro de 2010 20:10

Na newsletter do SCP recebida há pouco, encontramos o seguinte texto não assinado:

 

A VERDADE DAS MENTIRAS

A Assembleia Geral da última semana teve as mais diversas interpretações, consoante as «fontes geralmente bem informadas» que faziam passar para o exterior as incidências da reunião magna de todos os sportinguistas. E este é um ponto de partida importante para chegarmos à conclusão que as verdades que tantas vezes são dadas à estampa como adquiridas não passam de visões distorcidas de certas realidades. Ou seja, enquanto muitos daqueles que se dizem sportinguistas continuarem a preferir comunicar melhor com o exterior do que internamente, as estratégias globais são mais difíceis de implementar.

A aprovação do Relatório e Contas com 60 por cento dos votos (quando muitos apregoavam uma crise de dimensões incalculáveis); a convicção dos argumentos apresentados pelos órgãos sociais, sem medo de enfrentar as vozes discordantes; a presença do director do futebol num momento em que poucos, se calhar, esperavam vê-lo por ali; a considerável participação de associados, tudo isso são motivos que nos levam a acreditar que o Sporting está vivo apesar dos profetas que continuam a apregoar a desgraça e dos muitos «entendidos» que nos fóruns de opinião ou cadeirões das tv’s opinam sobre os assuntos do nosso clube como se fossem «auditores» avalizados das diferentes matérias.

Caros sportinguistas, a verdade das mentiras não pode desviar-nos do nosso caminho. Porque acreditamos nas nossas convicções e no nosso projecto. Contra as vozes da desgraça e os que se dizem sabedores de tudo sem conhecerem coisa alguma.

É então desta forma que o Sporting Clube de Portugal reage, num texto não assinado, aos graves acontecimentos da última Assembleia Geral. Não negando, mas omitindo os acontecimentos que muitos testemunharam.

Entretanto, ficamos a saber que a aprovação do Relatório e Contas com uma votação de 60% dos votos é sinal de que não atravessamos uma crise de dimensões incalculáveis, e que a presença do director do futebol na AG é um claro sintoma de que o Sporting “está vivo”.

Miar para fora, rugir para dentro.

Saudações Leoninas.

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral na sua actividade profissional

Francisco Santos Ferro, 12 de Outubro de 2010 20:44

É caso para dizer, mais vale tarde do que nunca:

É a primeira vez que sinto que é incompatível ser Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting num programa destes.

 Por José Eugénio Dias Ferreira, O Dia Seguinte, SIC Notícias, 11 de Outubro de 2010

Vale a pena ver:

“Eu não posso estar a condenar pessoas que me ajudaram”

Francisco Santos Ferro, 8 de Outubro de 2010 20:55

 

E acha que o Sporting está em condições de amortizar aquilo que deve? Esta dívida enorme?

O Sporting está, juntamente com os seus principais credores, que não podem ser apontados como alguns Sportinguistas usam e abusam a dizer que são os maus da fita, porque eu não posso estar a condenar pessoas que me ajudaram, ou que ajudaram o Sporting no passado…  a construir obras, porque não há só passivo, há activo. …

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